EUA propõe mais 12,5% de taxação ao Brasil por trabalho forçado
Nova investigação comercial apurou supostas falhas de 60 países para impedir entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada nos EUA

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu, nesta terça-feira (2/6), mais uma investigação comercial que tem o Brasil como alvo e propôs tarifa adicional de 12,5% aos produtos brasileiros.
Ao todo, 60 países foram alvo da investigação, que apurou supostas falhas dessas economias para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados internos.
A nova proposta foi anunciada apenas um dia depois de o USTR recomendar tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras, ao concluir investigação que questiona práticas comerciais do país, incluindo o Pix.
As duas medidas ainda passarão por consultas e audiências públicas, previstas para julho, antes da decisão final do governo de Donald Trump.
As investigações sobre trabalho forçado foram abertas em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos EUA para combater práticas consideradas injustas ou discriminatórias que afetem o comércio americano.
Segundo o USTR, a ausência de mecanismos eficazes para barrar a importação de produtos feitos com trabalho forçado cria concorrência desleal para empresas dos Estados Unidos que seguem padrões trabalhistas, o que justificaria a adoção de medidas comerciais.
O Brasil aparece entre as 54 economias que, segundo o relatório, não conseguiram impor nem aplicar de forma efetiva proibição à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Na mesma lista, estão países como China, Argentina, Austrália, Japão, Reino Unido, Índia e África do Sul.

Lista completa
- Argélia;
- Angola;
- Argentina;
- Austrália;
- Bahamas;
- Bahrein;
- Bangladesh;
- Brasil;
- Camboja;
- Chile;
- República Popular da China;
- Colômbia;
- Costa Rica;
- República Dominicana;
- Egito;
- El Salvador;
- Guatemala;
- Guiana;
- Honduras;
- Hong Kong – território autônomo no sudeste da China;
- Índia;
- Iraque;
- Israel;
- Japão;
- Jordânia;
- Cazaquistão;
- Kuwait;
- Líbia;
- Malásia;
- Marrocos;
- Nova Zelândia;
- Nicarágua;
- Nigéria;
- Noruega;
- Omã;
- Peru;
- Filipinas;
- Catar;
- Rússia;
- Arábia Saudita;
- Cingapura;
- África do Sul;
- Coréia do Sul;
- Sri Lanka;
- Suíça;
- Taiwan;
- Tailândia;
- Trinidad e Tobago;
- Turquia;
- Emirados Árabes Unidos;
- Reino Unido;
- Uruguai;
- Venezuela; e
- Vietnã.
Outras seis economias – Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão — foram classificadas pelo USTR como países que possuem mecanismos legais de restrição, mas não os aplicam de forma eficaz.
Com base nessa distinção, o órgão propôs tarifa adicional de 10% para países que já adotam algum mecanismo de combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. Para os demais, entre eles o Brasil, a sobretaxa sugerida é de 12,5%.
Defesa brasileira
A recomendação para a nova taxação, entretanto, não pegou o governo brasileiro de surpresa. O caso vinha sendo acompanhado desde a abertura da investigação, e o Brasil apresentou sua defesa ao USTR em abril.
“O arcabouço interno e as medidas de fiscalização associadas são complementados por uma série de acordos internacionais destinados a erradicar o trabalho forçado entre os parceiros comerciais do Brasil e impedir que produtos fabricados com trabalho forçado ingressem no mercado brasileiro”, argumentou Vieira.




