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Brasil pode ser invadido com PCC e CV como terroristas? Entenda impacto da medida dos EUA

Governo norte-americano afirmou que facções criminosas brasileiras passarão a ser tratadas como organizações terroristas

Os Estados Unidos passarão a designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo ele, as facções são “duas das mais violentas organizações criminosas no Brasil” e possuem capacidade de atingir os EUA.

As medidas foram divulgadas após uma reunião entre o pré-candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, e o presidente americano, Donald Trump. Após o encontro, o comunicador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou que a classificação das facções brasileiras como terroristas foi um dos pontos em pauta entre os políticos.

A notícia gerou forte reação do governo brasileiro. O Executivo publicou uma nota criticando a família Bolsonaro, chamando os membros de “falsos patriotas” e acusando-os de envolvimento com o crime organizado.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, defendeu o Planalto.

Intervenção ou sanção?

Para o advogado criminalista e especialista em Segurança Pública Marcelo Almeida, a decisão norte-americana não configura, necessariamente, uma intervenção ou invasão territorial, mas sim uma ferramenta de sanção financeira. Almeida ressalta, porém, que, embora os EUA possuam forças legislativas e de inteligência relevantes, nada garante a eficácia da iniciativa.

“Depende muito de cada situação. Se houver patrimônio ou trânsito financeiro vinculado ao exterior, certamente o impacto pode ser relevante. Contudo, é falado que facções como o PCC e o CV operam muito com dinheiro vivo, criptomoedas, laranjas e até mesmo empresas pulverizadas. Se essa for a logística real, o impacto será bem mais simbólico do que prático”, explica.

O especialista alerta que, caso a medida surta efeito, existe o risco de a perda de lucros no exterior inflacionar o crime local, como uma tentativa das facções de compensar a perda de capital.

“Historicamente, quando organizações criminosas perdem fluxo financeiro ou algum tipo de liderança, é comum buscarem outros meios para repor o prejuízo. Com isso, pode haver, em algum momento, o aumento da violência em pontos específicos ou a intensificação do tráfico em determinadas áreas”, avalia Almeida, ponderando que as consequências não seriam imediatas e dependeriam da estrutura local da facção e do nível das perdas.

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