Inflação: Apesar de melhora, economistas alertam para pressão em serviços
Alimentos, combustíveis e índice geral devem arrefecer no IPCA-15 de março, mas impactos de segunda ordem pela guerra são esperados pelo mercado

A inflação brasileira tem voltado ao centro das atenções de economistas e consumidores preocupados com a alta dos preços no país. E a prévia de maio, o IPCA-15 apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ainda deve apresentar sinais de pressão, apesar de uma melhora marginal, segundo economistas
As projeções da Lifetime Gestora de Recursos e do Daycoval são as mesmas: alta de 0,53% no mês. Se confirmado, o resultado será melhor que o 0,89% do IPCA-15 anterior e o 0,67% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) cheio de abril.
“A gente viu boa parte do aumento de combustíveis e alimentação ficar no mês de abril”, observa Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, ressaltando, porém, que “maio também recebe um pouco de aumento”.
Apesar de estes preços seguirem pressionados pela guerra e a expectativa de um El Niño que deve afetar a produção do agronegócio, é para outro problema que Kawauti joga os holofotes: os núcleos de inflação.
Os itens do núcleo buscam identificar a tendência de longo prazo dos preços, excluindo itens voláteis como alimentos e combustíveis. A economista ressalta que esses grupos sofrem com “efeitos óbvios e diretos” da guerra.
“Agora, a parte do núcleo, essa vai ser importante porque vai ajudar a gente a ver se teve algum tipo de repasse do índice cheio para o restante da economia. E é essa contaminação que provavelmente preocupa o Banco Central quando ele fala de efeitos de segunda ordem”, pontua.
No comunicado de sua última decisão de política monetária, o BC (Banco Central) destacou entre seus temores para alta dos preços “uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados”.
Desse modo, Leonardo Costa, economista do ASA, reforça que, apesar da melhora na margem, “o resultado não deve trazer alívio completo”.
“Os núcleos de inflação devem seguir elevados, especialmente serviços, que permanecem como o principal foco de preocupação do Banco Central e um dos fatores que sustentam a postura conservadora da autoridade monetária”, afirma.
Em seu último comunicado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC também destacava entre os riscos “uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo”.
Nesse pacote, o departamento de pesquisa econômica do Daycoval alerta especificamente para o aumento dos preços das passagens aéreas, alimentação fora do domicílio e itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho.
“Com isso, os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços) devem seguir em patamar elevado e seguem constituindo desafio para o Banco Central”, pontua.
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