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‘Super El Niño’: o que os dados dos últimos anos revelam sobre o fenômeno que se aproxima

Mudanças climáticas tornam os impactos do próximo El Niño incertos, mesmo com a tecnologia moderna

O próximo “Super El Niño” está prestes a afetar a vida de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo à medida que se fortalece ao longo do ano até a temporada de inverno.

Ele também pode alterar os ecossistemas por décadas, a julgar pelas repercussões de intensos El Niños passados.

O último Super El Niño reformulou o clima e as economias ao redor do mundo, deixando perturbações que persistiram muito tempo após o resfriamento do Pacífico.

Agora, enquanto outro poderoso El Niño se desenvolve, estamos procurando pistas sobre o que centenas de milhões de pessoas – e os ecossistemas mais frágeis do planeta – poderão enfrentar a seguir.

O fenômeno é um ciclo climático que ocorre naturalmente no Oceano Pacífico, caracterizado por águas incomumente quentes perto da linha do Equador, o que muda a circulação de ar na atmosfera.

Mas os efeitos não ficam limitados àquela parte do Pacífico; eles ecoam para fora, afetando os padrões de tempo e clima em todo o globo.

Os “Super El Niños” passados são um guia imperfeito para este próximo, já que não existem dois iguais em seus impactos.

Mas, de muitas maneiras, estaremos simultaneamente mais e menos resilientes aos efeitos deste super El Niño em comparação com os eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

Mais notavelmente, alguns modelos computacionais mostram o próximo evento climático deste porte superando a intensidade de todos esses outros para se tornar o mais intenso desde pelo menos 1950.

Não é o cenário mais provável, mas esse é o maior ponto de incerteza em seus impactos:não vamos saber a sua força máxima até que aconteça.

Nossa resiliência moderna vem de sermos capazes de ver o El Niño chegando bem antes de seus piores efeitos atingirem.

Mas existem algumas preocupações de que os países e grupos de ajuda possam ter mais dificuldade em organizar uma resposta a eventos climáticos extremos ligados ao El Niño por causa de cortes nos orçamentos de ajuda e outros desdobramentos políticos.

Estes afetaram especialmente alguns dos países mais vulneráveis do mundo.

Os efeitos de um El Niño forte podem incluir inundações em algumas áreas, enquanto a seca, ondas de calor e incêndios florestais assolam outras regiões.

Perdas de safras são comuns em alguns países durante o fenômeno, assim como o branqueamento e a mortalidade de corais devido a temperaturas oceânicas incomumente altas.

Como o El Niño apresenta uma grande área de águas oceânicas incomumente quentes, com grande parte desse calor sendo transferido para a atmosfera, o clima global quase certamente verá um ano de calor recorde durante um El Niño intenso, dizem os cientistas climáticos.

Será caro

Estudos de eventos históricos do El Niño, particularmente o “El Niño do Século” em 1997-98, mostraram que seus danos econômicos podem chegar aos trilhões globalmente, embora alguns países possam se beneficiar economicamente dos invernos mais amenos que ele traz ou de outras mudanças nos padrões climáticos.

Um estudo publicado na revista Science em 2023 descobriu que o El Niño pode reduzir o crescimento econômico a nível nacional por vários anos após as águas quentes terem diminuído.

Os pesquisadores atribuíram US$ 4,1 trilhões (cerca de R$ 20 trilhões, na cotação atual) em perdas de renda global ao El Niño de 1982-83 e US$ 5,7 trilhões (cerca de R$ 28 trilhões, na cotação atual) em perdas de renda global ao evento de 1997-98, que, com base em sua intensidade, pode ser um análogo útil para o próximo El Niño.

Essas perdas ocorreram em países ao longo de um período de cinco anos, durante e após o El Niño.

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