Veja medidas do pacote contra endividamento previsto para 1º de maio
Governo prepara novo "Desenrola" para conter o endividamento e avalia uso de crédito mais barato para aliviar dívidas

A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) finaliza um pacote de medidas para enfrentar o alto nível de endividamento das famílias brasileiras, com anúncio previsto para 1º de maio, Dia do Trabalhador.
A proposta reúne frentes diversas, envolvendo renegociação de dívidas e barateamento do crédito, buscando atacar um dos principais entraves ao consumo no país: o peso do endividamento, especialmente no caso de débitos de maior custo, como cartão de crédito e cheque especial.
Medidas que serão apresentadas
O eixo central do pacote contra o endividamento é a reformulação de programas de renegociação, nos moldes do Desenrola Brasil. A nova versão deve ampliar o alcance da iniciativa, com foco em dívidas bancárias e não bancárias, e pode prever descontos mais amplos.
A ideia é permitir abatimentos relevantes sobre o valor total devido, principalmente em débitos já negativados, criando incentivos para que credores aceitem acordos e consumidores consigam limpar o nome.
Outro ponto do pacote é o uso de garantias públicas para destravar o crédito. O governo estuda ampliar a atuação do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que pode cobrir parte do risco das instituições financeiras em operações de renegociação.
A medida reduz a exposição dos bancos à inadimplência e abre espaço para a oferta de juros mais baixos e prazos mais longos nos novos contratos firmados com os devedores.
Análise de possível liberação do FGTS
Também está em análise a possibilidade de utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como instrumento de alívio financeiro. A medida pode permitir que trabalhadores utilizem parte do saldo para quitar ou amortizar dívidas, especialmente aquelas com juros mais elevados.
A proposta, ainda em discussão, é vista como uma forma de trocar dívidas por recursos já pertencentes ao trabalhador, reduzindo o comprometimento da renda mensal.
No campo do crédito, o pacote deve reforçar o estímulo a linhas mais baratas, como o consignado. O governo avalia medidas para ampliar o acesso a essa modalidade, inclusive para trabalhadores do setor privado, o que pode incluir ajustes regulatórios e incentivos para adesão de empresas.
Como as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, o risco de inadimplência é menor, o que permite taxas mais reduzidas em comparação a outras linhas.
Outra frente relevante envolve a portabilidade de crédito. A equipe econômica quer facilitar a migração de dívidas entre instituições financeiras, permitindo que consumidores troquem empréstimos mais caros por opções com juros menores.
A medida busca aumentar a concorrência no sistema bancário e pressionar as taxas para baixo, criando um ambiente mais favorável ao tomador de crédito.
Educação financeira
O pacote também deve incluir ações voltadas à educação financeira e à prevenção do superendividamento. A proposta é ampliar campanhas e mecanismos de orientação ao consumidor, além de incentivar práticas mais responsáveis na concessão de crédito por parte das instituições financeiras.
O objetivo é evitar que famílias que consigam renegociar suas dívidas voltem a se endividar em condições desfavoráveis.
Há ainda discussões sobre a inclusão de públicos específicos nas medidas, como microempreendedores individuais (MEIs), pequenos negócios e estudantes com débitos em programas como o Financiamento Estudantil (Fies).
A ampliação do escopo busca atingir diferentes perfis de devedores, reconhecendo que o endividamento não se limita às famílias, mas também afeta a capacidade produtiva de pequenos empreendimentos.



