FMI alerta: dívida bruta do Brasil pode chegar a 100% do PIB em 2027 e seguir subindo até 2031
A dívida bruta do Brasil entrou em nova rota de alta nas projeções do FMI, com previsão de atingir 100% do PIB em 2027 e seguir subindo até 2031

A dívida bruta do Brasil deve atingir 100% do PIB em 2027, segundo novas projeções divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional nesta quarta-feira, 15, no relatório Monitor Fiscal, que também elevou as estimativas para 2026 e para os anos seguintes.
Projeção sobe para os próximos anos
O FMI passou a prever que o Brasil encerrará 2026 com dívida bruta equivalente a 96,5% do PIB. Pela nova trajetória, o indicador continuará subindo nos anos seguintes.
A estimativa do Fundo aponta que a dívida bruta alcançará 100% do PIB em 2027. Depois disso, seguirá em alta até chegar a 106,5% do PIB em 2031, último ano coberto pelas projeções divulgadas.
Revisão piora cenário anterior
As novas previsões representam uma piora em relação às estimativas divulgadas em outubro. Naquele momento, o FMI projetava uma dívida de 95% do PIB já neste ano.
Para 2027, a expectativa anterior era de 97% do PIB. A projeção também indicava estabilização próxima de 98% a partir de 2028, sem que o indicador alcançasse 100% nos anos seguintes.
Segundo os cálculos do Fundo, o Brasil fechou o ano passado com dívida de 93,3% do PIB. A revisão reflete uma visão mais negativa para o resultado primário e para o resultado nominal das contas públicas.
Esse resultado nominal inclui os gastos com juros da dívida. Com isso, a nova leitura apresentada pelo relatório mostra deterioração na trajetória estimada para as contas públicas brasileiras.
FMI pede reforço nas regras fiscais
No relatório, o FMI afirma que países emergentes avançaram nas últimas décadas ao construir políticas econômicas mais resilientes para enfrentar choques, como a pandemia e a alta recente do petróleo ligada à guerra no Irã.
Entre os fatores citados pelo Fundo estão a independência dos bancos centrais, os regimes de metas de inflação, estruturas fiscais mais robustas e o desenvolvimento de mercados de dívida em moeda local.
Mesmo assim, a instituição avalia que será necessário ampliar o compromisso com metas fiscais. Para o Brasil, o relatório afirma que será preciso fortalecer o arcabouço fiscal com mecanismos de médio prazo.
Segundo o Fundo, essas âncoras precisam oferecer mais previsibildade às contas públicas e conter pressões pró-cíclicas. O reforço do marco fiscal aparece como ponto central na avaliação sobre o país.
Diferenças nos cálculos da dívida bruta
A dívida bruta é um dos principais indicadores acompanhados por investidores para medir a capacidade de pagamento de um país. Ainda assim, a metodologia usada pelo FMI difere da adotada pelo governo brasileiro.
O Fundo inclui em sua conta os títulos do Tesouro que estão na carteira do Banco Central. Essa parcela não entra no cálculo oficial usado pelo Brasil.
Pela metodologia brasileira, a dívida bruta fechou 2025 em 78,7% do PIB e subiu para 79,2% em fevereiro, conforme dados do Banco Central. Esse foi o maior nível desde novembro de 2021 dentro desse critério.
No critério do FMI, a divída fica mais alta por incluir esses papéis.



