O desafio em torno das minas navais no Estreito de Ormuz
Irã afirma ter colocado minas na estratégica passagem para desencorajar o tráfego independente de embarcações. Quão perigosos são esses artefatos e o que pode ser feito para removê-los?

O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou que seu país estava preparado para fornecer serviços de remoção de minas navais e de reconhecimento marítimo para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
“Nós poderíamos colocar à disposição embarcações de remoção de minas. Somos bons nisso”, disse Merz, acrescentando que seria necessária uma “base jurídica sólida” para esse tipo de intervenção. O anúncio ocorreu após consultas com outros líderes europeus sobre uma possível missão multinacional para proteger o estreito após a guerra.
No mesmo dia, o principal diplomata do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a via navegável estratégica estava “completamente aberta” durante o período do cessar-fogo entre Israel e o Líbano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou que ela estava “liberada para passagem total”. No dia seguinte, porém, o Irã voltou atrás e fechou novamente o estreito.
De toda forma, há forte apreensão sobre os riscos em trafegar o canal marítimo estratégico, uma vez que autoridades iranianas indicaram haver minas navais no estreito. Especialistas, no entanto, levantam dúvidas sobre o risco real que a ameaça implica.
“Nem sequer temos certeza de que existem minas [no Estreito de Ormuz]”, disse Johannes Peters, especialista em guerra submarina do Instituto de Política de Segurança da Universidade de Kiel, na Alemanha. “Mas a ameaça subjacente é suficiente [para dissuadir a passagem]. Por enquanto, ninguém na zona de guerra pode realmente ir lá verificar”

Como funcionam as minas navais?
As minas navais são dispositivos explosivos subaquáticos relativamente baratos, projetados para detonar quando acionados por embarcações que passam nas proximidades. Existem três tipos principais, de acordo com sua forma de posicionamento:
- minas à deriva, que flutuam livremente na superfície da água ou próximo a ela;
- minas fundeadas, que flutuam abaixo da superfície e ficam ancoradas ao fundo do mar;
- minas de fundo, que repousam diretamente sobre o leito marinho.
Durante toda a Segunda Guerra Mundial, minas fundeadas equipadas com alavancas de contato, que acionavam uma explosão ao encostar em um navio, eram o modelo padrão da Marinha britânica – copiadas de minas alemãs capturadas, desenvolvidas na Primeira Guerra Mundial. “As minas modernas têm muito pouco a ver com aquelas”, explicou Peters.
Os mecanismos de disparo dos dispositivos mais recentes não exigem mais contato direto, podendo ser acionados por determinados efeitos magnéticos, ondas sonoras subaquáticas ou pela redução da pressão sob a água causada pela passagem de navios.
Para programar uma mina para um tipo específico de embarcação, “submarinos podem ajudar a determinar o perfil acústico de um navio inimigo”, explicou Peters. “Essas embarcações hostis vão acionar as minas por meio de suas assinaturas acústicas, enquanto navios aliados podem continuar a atravessar a área minada sem qualquer problema”
Busca demorada por possíveis explosivos
O processo de desminagem, que envolve a caça e a varredura de minas, pode ser demorado. Para caçar uma mina, é preciso primeiro localizar objetos suspeitos; depois, especialistas precisam determinar se eles representam uma ameaça.
Caso representem, há várias formas de lidar com a situação: especialistas podem recuperar a mina, desarmá-la ou provocar uma explosão subaquática controlada. No entanto, técnicas mais recentes oferecem novas oportunidades para remover minas sem colocar vidas em risco.
“Quando possível, usamos drones para procurar objetos, depois identificá-los e destruí-los”, disse o soldado ucraniano Mykola. Ele faz parte de uma força-tarefa ucraniana responsável por remover minas navais no Mar Negro, colocadas pela Rússia como parte de sua ofensiva de guerra.



