Economia

Superendividamento: 117 milhões de brasileiros têm débitos bancários, aponta BC

Governo estuda pacote de medidas para conter endividamento das famílias

O Banco Central alertou, em seu mais recente Relatório de Cidadania Financeira, que o superendividamento tem se tornado um problema cada vez mais presente na vida dos brasileiros.

De acordo com o documento, ao final de 2024, cerca de 117 milhões de pessoas possuíam algum tipo de dívida com instituições financeiras. Ao mesmo tempo, 130 milhões tinham acesso a limite de crédito – o que representa aproximadamente 74% da população com relacionamento bancário.

O avanço é significativo: “Em quatro anos, 32 milhões a mais de pessoas passaram a ter acesso a estes produtos, um crescimento de 34%”, informou o Banco Central.

A ampliação do acesso ao crédito, embora positiva em termos de inclusão financeira, também trouxe desafios. O BC destaca uma forte expansão das linhas de crédito sem garantia – aquelas com juros mais elevados – como empréstimos pessoais e cartão de crédito.

O número de brasileiros com empréstimo pessoal mais que triplicou desde 2020, com alta de 214%, alcançando 41,7 milhões de clientes. Já o contingente de pessoas com dívidas no cartão de crédito cresceu 55% no mesmo período, somando cerca de 53 milhões em 2024.

Após a pandemia de COVID-19, o cartão de crédito passou a ter ainda mais peso no endividamento das famílias. Em 2024, essa modalidade movimentou quase R$ 400 bilhões em empréstimos, o maior volume já registrado pela série histórica do BC.

Outras linhas também seguem relevantes: tanto o cheque especial quanto o crédito consignado são utilizados por cerca de 24 milhões de brasileiros cada, com crescimento próximo de 20% nos últimos anos.

Nos financiamentos com garantia, como os modelos imobiliário e automotivo, o cenário é mais estável. Cada modalidade reúne pouco menos de 10 milhões de clientes.

Ainda assim, há diferenças importantes: enquanto o crédito imobiliário cresceu 23% no período analisado, o financiamento de veículos avançou apenas 3%, indicando um ritmo mais lento nessa área.

Impactos do superendividamento vão além do bolso

O Banco Central também chamou atenção para os efeitos do endividamento na saúde mental da população. Segundo a instituição, o problema tem gerado um “impacto psicológico profundo e abrangente”.

“Estudos mostram que o endividamento excessivo está associado a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão”, destacou o relatório. A pressão constante das dívidas pode causar insônia, queda na autoestima e até conflitos familiares.

Governo estuda medidas

O tema ganha ainda mais relevância em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia novas ações para conter o avanço das dívidas no país.

Entre as propostas em análise estão a unificação de débitos – como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal – em uma única linha de refinanciamento, com redução significativa dos juros. Os descontos podem variar de 30% a 80%, podendo chegar a até 90% em negociações com instituições financeiras.

Outra alternativa em estudo é permitir o uso de recursos do FGTS para quitar dívidas, com limites para evitar impactos excessivos no fundo. As medidas foram confirmadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

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