Supersexta da inflação traz dados do Brasil e dos EUA sob sombra da guerra
Números do IPCA e CPI de março serão divulgados nesta sexta-feira em meio a incertezas globais com conflito no Oriente Médio

A agenda econômica desta sexta-feira (10) tem como destaques os dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos no mês de março, indicadores que serão acompanhados de perto pelo mercado financeiro e por bancos centrais, à medida que buscam pistas dos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial.
Por aqui, os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) serão publicados às 9h, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, ressalta que os dados saem em um momento de grande pressão sobre as autoridades monetárias com incertezas sobre desfechos nos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã.
“Nossa expectativa de inflação é que, nos próximos números, apareçam de forma clara os resultados do conflito no Oriente Médio sobre os preços brasileiros, resultando em preços mais elevados – o que vai gerar um cenário desafiador para as expectativas de inflação do Banco Central, porque isso tem potencial para pressioná-las ainda mais”, indica Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
As expectativas vinham se deteriorando continuamente desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no dia 28 de fevereiro.
Nos cinco dias úteis até a última quinta-feira (2), a mediana do mercado apontava alta de 0,7% na comparação mensal de março do IPCA, segundo apuração do BC (Banco Central).
Após dados já elevados na prévia apurada pelo IPCA-15, o Santander foi um dos que revisou suas expectativas para cima, prevendo alta de 0,72% em relação ao mês anterior, e 4% em relação ao ano passado.
A principal fonte de dispersão para as projeções está na calibração do aumento de dois itens voláteis, segundo análise de Adriano Valladão, economista do banco espanhol: gasolina e alimentos para consumo doméstico.

IPCA pressionado
Analistas esperam reflexos claros da guerra nos dados desta sexta.
“A gente está sofrendo um choque importante agora, um choque de oferta por conta da alta dos preços do petróleo e isso cria um ruído adicional na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil para a convergência da inflação”, diz Roberto Padovani, economista-chefe do BV, que vê o IPCA em alta de 0,71% na margem mensal, e de 3,97% no acumulado do ano.
Alimentos e combustíveis são os destaques que Padovani aponta como pesos ao bolso do consumidor brasileiro no mês de março.
Além destes componentes, itens do núcleo da inflação – que buscam identificar a tendência de longo prazo dos preços, excluindo itens voláteis – têm mostrado “surpresa altista” nas últimas leituras, destaca o economista Ederson Schumanski no relatório macroeconômico de abril do BTG Pactual.



