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Ameaça dos EUA ao Irã aumenta risco regional e impacta o petróleo

Escalada entre Washington e Teerã, em meio a protestos no Irã, acende alerta no Golfo e eleva temores sobre preço do petróleo

As recentes ameaças dos Estados Unidos ao Irã, impulsionadas pela intensificação dos protestos contra o regime dos aiatolás e pelo discurso do presidente Donald Trump, reacendem temores de uma escalada regional no Oriente Médio. 

O movimento ocorre em um cenário já fragilizado por tensões, disputas energéticas e pela centralidade do petróleo na equação estratégica global.

Protestos no Irã

  • Desde o fim de dezembro, o Irã enfrenta onda de manifestações que começou com queixas econômicas e rapidamente se transformou em protestos contra o governo.
  • A repressão já deixou milhares de mortos, segundo organizações internacionais, e levou Trump a adotar tom cada vez mais agressivo, com ameaças públicas de “reações muito enérgicas” caso o regime avance com execuções de manifestantes.
  • Nessa quarta-feira (14/1), o republicano adotou tom ameno após ameaças contra o governo Khamenei, alegando ter sido informado de que as “matanças” no Irã “estão parando”.

Pressão regional e temor no Golfo

Apesar da retórica de Washington, aliados árabes dos EUA no Golfo Pérsico tentam conter uma escalada militar.

Liderados pela Arábia Saudita, países como Omã e Catar vêm usando canais diplomáticos para advertir a Casa Branca de que uma tentativa de derrubar o regime iraniano teria efeitos colaterais severos, especialmente sobre o mercado de petróleo.

Segundo a imprensa internacional, autoridades da região alertaram que ataques ao Irã poderiam comprometer a navegação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passa pelo Estreito, rota comercial estratégica que liga os principais produtores do Oriente Médio aos mercados da Ásia-Pacífico, da Europa e da América do Norte.

Um bloqueio, ainda que parcial, teria impacto imediato sobre os preços da commodity e sobre a estabilidade econômica global.

Regime fragilizado e precedente venezuelano

Para a professora Fernanda Brandão, coordenadora do curso de relações internacionais da Faculdade Mackenzie Rio, as ameaças norte-americanas surgem em um momento de vulnerabilidade inédita do regime iraniano.

“As ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção no Irã vêm em um momento em que o regime dos aiatolás já se encontra bastante enfraquecido. Isso ocorre não apenas no campo militar, mas também no plano político, com a continuidade dos protestos e manifestações contrárias ao governo”.

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