Ali Khamenei: a trajetória do homem que liderou o Irã por quase 40 anos
Seyyed Ali Khamenei teve uma longa trajetória política, desde sua oposição ao Xá do Irã até sua nomeação como líder supremo

Ali Khamenei, figura central da política iraniana por mais de quatro décadas, construiu sua trajetória entre atentados, disputas internas, crises internacionais e forte controle político, desde sua ascensão após a Revolução Islâmica até sua morte, aos 86 anos, neste sábado (28), após ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Khamenei exerceu a autoridade suprema do Irã por quase 40 anos, controlando as forças armadas, o sistema judiciário e a mídia estatal.

Cronologia
- 1962: Junto com Khomeini, inicia seu envolvimento com protestos, opondo-se às políticas do Xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi.
- 1977: Junto com outros clérigos, forma a Associação de Clérigos Combatentes, que se torna o Partido da República Islâmica.
- 1980-1987: Secretário-geral e membro do comando central do Partido da República Islâmica.
- Junho de 1981: Ferido quando uma bomba colocada em um gravador de fita explode em uma conferência de imprensa.
- 13 de outubro de 1981 a 3 de agosto de 1989: Presidente do Irã.
- Março de 1985: Sobrevive quando um atentado suicida detona nas proximidades.
- 4 de junho de 1989 a 28 de fevereiro de 2026: É eleito provisoriamente líder supremo da República Islâmica do Irã após a morte de Khomeini.
- 28 de julho de 1989: Um referendo torna sua eleição oficial, e um grupo de líderes religiosos confirma posteriormente sua eleição como líder supremo.
- Maio de 2011: Khamenei entra em uma disputa pública de poder com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
- Fevereiro de 2012: Emite uma declaração de que o Irã apoiará qualquer nação ou grupo que lute contra Israel.
- Março de 2012: Reage às tensões envolvendo o programa nuclear do Irã e saúda o comentário do presidente dos EUA Barack Obama de que “é no melhor interesse dos Estados Unidos, de Israel e do mundo” para resolver pacificamente a crise nuclear do Irã.
- Março de 2012: Os aliados de Khamenei ganham cerca de 75% dos assentos nas eleições parlamentares contra o movimento de oposição do rival Ahmadinejad.
- 21 de março de 2013: Khamenei, em um discurso transmitido pela televisão, ameaça Tel Aviv e Haifa afirmando que “às vezes as autoridades do regime sionista (Israel) ameaçam lançar uma invasão militar, mas eles próprios sabem que, se cometerem o menor erro, a República Islâmica arrasará Tel Aviv e Haifa até o chão”.
- Janeiro de 2015: Khamenei publica uma carta aberta em seu site, dirigida aos jovens ocidentais, pedindo-lhes que não julguem o Islã com base nos ataques terroristas ao Charlie Hebdo.
- 21 de outubro de 2015: Khamenei aprova condicionalmente o acordo nuclear assinado entre seu país e seis potências mundiais em julho.
- 7 de fevereiro de 2017: De acordo com seu site, Khamenei diz a uma reunião de comandantes da força aérea do Irã em Teerã:
“Nós, no entanto, agradecemos a esse cara novo na Casa Branca, já que ele fez em grande parte o trabalho que vínhamos tentando fazer nas últimas décadas: divulgar a verdadeira face dos EUA. Estávamos trabalhando para mostrar ao mundo a profundidade da corrupção no governo dos EUA e nas fileiras da elite governante; Trump o fez em poucos dias depois de chegar à Casa Branca”.
- 9 de janeiro de 2018: Falando no aniversário da revolução iraniana que começou em 1978, Khamenei diz que os iranianos têm o direito de protestar. Mas ele também culpa os Estados Unidos e Israel pela agitação civil mais recente.
- 13 de agosto de 2018: Em um discurso publicado em seu site, Khamenei diz que não haveria “nenhuma guerra, nem negociaremos com os Estados Unidos”, após a primeira onda de sanções da administração Trump reimpostas ao Irã depois que os Estados Unidos anunciaram sua retirada do acordo nuclear do Irã em maio.
Khamenei parece contradizer o presidente iraniano Hassan Rouhani, que disse anteriormente que o Irã estava disposto a manter conversações com os Estados Unidos para resolver a questão – algo que o conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, descartou como possível “propaganda”.
- 24 de junho de 2019: Trump anuncia novas sanções contra o Irã, em parte para retaliar após a derrubada de um drone dos EUA, com as medidas punitivas destinadas a atingir Khamenei, oficiais militares e o principal diplomata do Irã.
- 5 de janeiro de 2020: Após a morte do General Qasem Soleimani em um ataque de drone dos EUA em Bagdá, o conselheiro militar de Khamenei, Hassan Dehghan, diz que a “resposta com certeza será militar e contra locais militares” de seu país.
- 17 de janeiro de 2020: Pela primeira vez em oito anos, Khamenei lidera as orações de sexta-feira (6) em Teerã, chamando as autoridades americanas de “palhaços americanos” em seu sermão desafiador.
- 28 de novembro de 2020: Um dia após o aparente assassinato do principal cientista nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, Khamenei promete vingança por sua morte. O Irã culpou Israel pelo ataque e disse que a operação tinha as marcas da agência de inteligência estrangeira de Israel, o Mossad.
- 8 de janeiro de 2021: Khamenei proíbe a importação de vacinas contra a Covid-19 dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para o Irã. Em uma aparição na televisão estatal, ele chama as vacinas de indignas de confiança.
- 25 de junho de 2021: A televisão estatal do Irã relata que Khamenei recebeu sua primeira dose da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Irã, conhecida como vacina CovIran Barekat. Foi aprovada para uso em meados de junho, de acordo com as autoridades iranianas.
- 1 de março de 2022: Em um discurso transmitido pela televisão, Khamenei acusa os EUA de causar o conflito na Ucrânia, comparando o governo dos EUA a um “regime do tipo máfia”.
- 9 de fevereiro de 2024: A Meta confirma à CNN Internacional que as contas de Facebook e Instagram de Khamenei foram removidas por “violar repetidamente nossa política de Organizações e Indivíduos Perigosos”.
Embora a Meta não tenha fornecido um motivo específico, a política não permite que organizações ou indivíduos que proclamem uma missão violenta ou estejam envolvidos em violência tenham presença na Meta.
- 26 de junho de 2025: Em seus primeiros comentários desde que o conflito Irã-Israel, que começou em 13 de junho, terminou em um cessar-fogo, Khamenei parabeniza “a grande nação do Irã” por sua “vitória sobre o regime sionista falso”.
- 17 de janeiro de 2026: Khamenei reconhece que milhares de iranianos foram mortos durante mais de duas semanas de protestos antigovernamentais que eclodiram no final de dezembro de 2025 – mortes que ele atribui a Trump, que ele diz que “encorajou abertamente” os manifestantes ao prometer-lhes “apoio militar” dos EUA.
- 1 de março de 2026: Vários meios de comunicação estatais iranianos confirmam a morte de Khamenei, horas depois que autoridades dos EUA e israelenses declararam que ele havia sido morto em seus ataques conjuntos visando seu regime.




