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Em meio a tensões, avião da Marinha dos EUA faz voo próximo ao Irã

Aeronave de vigilância não tripulada seguiu rota próxima à costa iraniana no mesmo dia em que Trump elevou o tom contra Teerã

Uma aeronave da Marinha dos Estados Unidos realizou nesta terça-feira (13), um voo próximo à costa do Irã, em um momento de aumento das tensões entre os dois países.

De acordo com dados do site de monitoramento FlightRadar, o avião é um Northrop Grumman MQ-4C Triton, modelo não tripulado usado em missões de vigilância. A aeronave partiu de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e segue um trajeto próximo à costa sul iraniana.

O MQ-4C Triton é projetado para operações de reconhecimento de longo alcance, capaz de detectar, rastrear e classificar objetos de forma contínua, voando a grandes altitudes por longos períodos, além de compartilhar dados em tempo real para apoiar a coordenação militar.

Irã x EUA

Irã e Estados Unidos vivem um momento de tensão. Ainda nesta terça-feira (13/1), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington agirá caso o governo iraniano execute manifestantes presos durante os protestos que atingem o país há mais de duas semanas.

“Se eles fizerem isso, tomaremos medidas muito enérgicas”, afirmou Trump, sem detalhar quais ações poderiam ser adotadas, limitando-se a dizer que o objetivo seria “vencer”.

O presidente reagiu também a informações de que o Irã planeja executar manifestantes presos, incluindo o iraniano Erfan Soltani, de 26 anos. “Quando começam a matar milhares de pessoas, e agora você me fala em enforcamento, vamos ver como isso vai acabar para eles. Não vai acabar bem”, declarou.

Questionado sobre que tipo de apoio estaria sendo oferecido aos iranianos, Trump sugeriu a possibilidade de ajuda econômica, sem detalhar medidas. Mais cedo, ele também usou as redes sociais para incentivar os manifestantes a continuarem os protestos e afirmou que “a ajuda está a caminho”.

Quem é Erfan Soltani

O jovem tem 26 anos, trabalha no setor têxtil e pode se tornar o primeiro manifestante executado pelo regime iraniano desde o início da nova onda de protestos no país. Organizações internacionais de direitos humanos afirmam que ele corre risco iminente de ser enforcado já nesta quarta-feira, após ter sido detido durante manifestações contra o governo.

Erfan foi preso na noite de 8 de janeiro, nas proximidades de sua casa, no distrito de Fardis, na cidade de Karaj, região metropolitana de Teerã. Durante três dias, a família não recebeu qualquer informação sobre seu paradeiro. O contato só ocorreu no domingo seguinte, quando agentes de segurança confirmaram que o jovem estava sob custódia e já havia sido condenado à morte.

Segundo relatos reunidos por entidades independentes, Erfan não teve acesso a advogado, não foi formalmente acusado e não passou por julgamento. A condenação teria sido baseada na acusação de “moharebeh”, termo usado pelo regime para classificar opositores como “inimigos de Deus”, crime que pode levar à pena capital no Irã.

A família foi autorizada a um único encontro com o jovem, com duração de cerca de dez minutos. De acordo com fontes próximas, os agentes deixaram claro que se tratava de uma despedida final antes da execução da sentença. Parentes também teriam sido ameaçados para que não falassem com a imprensa nem denunciassem o caso publicamente.

Protestos

Segundo a imprensa internacional, cerca de 2.000 pessoas morreram desde o início das manifestações. O governo do aiatolá Ali Khamenei impôs um apagão quase total da internet, o que dificulta a verificação independente das informações. Relatos de moradores indicam que forças de segurança estariam atirando diretamente contra manifestantes.

Os protestos começaram com reclamações ligadas à crise econômica e, ao longo dos dias, passaram a incluir pedidos pelo fim da República Islâmica, no poder desde 1979.

Além das declarações, Trump anunciou que países que mantiverem relações comerciais com o Irã poderão ser alvo de uma tarifa de 25% sobre o comércio com os Estados Unidos, ampliando a pressão econômica sobre Teerã.

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