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Líder supremo do Irã teria plano de fuga para Moscou caso protestos derrubem regime

Temor de instabilidade cresce em meio à onda de protestos que começou com reivindicações econômicas

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, teria preparado um plano de contingência para deixar o país e se refugiar em Moscou caso os protestos em curso ameacem a sobrevivência do regime islâmico. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Times em meio à escalada das manifestações que se espalham por cidades iranianas desde o fim de dezembro.

De acordo com o relato, Khamenei, de 86 anos, sairia de Teerã acompanhado por um grupo restrito de até 20 pessoas, formado por familiares e assessores próximos, incluindo seu filho Mojtaba, apontado como herdeiro político. A evacuação seria acionada caso os serviços de segurança e as Forças Armadas começassem a desertar, se recusar a cumprir ordens ou perdessem o controle da repressão.

“O Plano B foi concebido para Khamenei e seu círculo mais próximo de aliados e familiares, incluindo seu filho e herdeiro designado, Mojtaba”, disse uma fonte da inteligência ocidental.

Segundo o ex-oficial de inteligência israelense Benny Sabti, Moscou seria o único destino possível em um cenário de colapso do regime. “Khamenei está fugindo para Moscou porque não tem para onde ir”, afirmou.

O plano teria sido influenciado pelo recente colapso do governo sírio. Em dezembro de 2024, o então presidente Bashar al-Assad deixou Damasco e seguiu para Moscou quando forças da oposição avançaram sobre a capital. O episódio passou a ser visto por autoridades iranianas como um precedente de que a Rússia pode servir de refúgio de último recurso para aliados sob risco de queda.

O temor de instabilidade cresce em meio à onda de protestos que começou com reivindicações econômicas e se transformou em um movimento político. Mais de 10 mil pessoas foram presas e 490 morreram desde o início das manifestações, motivadas inicialmente pela crise econômica e pela forte desvalorização da moeda iraniana. Em 2025, o rial perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar, atingindo importadores, comerciantes e o orçamento das famílias.

As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

Khamenei disse que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.

Com o passar dos dias, os atos passaram a exigir a queda do regime islâmico que governa o país há mais de três décadas. A Guarda Revolucionária declarou que vai proteger os bens públicos, enquanto instituições religiosas intensificaram a repressão. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, e exibiu imagens de funerais de agentes de segurança mortos em confrontos em outras cidades.

O governo iraniano acusa Estados Unidos e Israel de estimularem os protestos. As declarações ocorreram após o presidente norte-americano Donald Trump emitir um novo alerta aos líderes do Irã. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que Washington apoia o que chamou de “o bravo povo do Irã”.

As autoridades mantêm o bloqueio da internet, o que dificulta a verificação independente da situação nas ruas. O Exército, subordinado diretamente a Khamenei, declarou que vai proteger os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica e os bens públicos, enquanto os protestos seguem sem sinais de arrefecimento.

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