Inflação, juros e crescimento: como deve se comportar a economia em 2026
Projeções do mercado apontam um ano de ajustes graduais, com desafios fiscais e atividade econômica moderada

O início de 2026 encontra a economia brasileira em um momento de transição. Após um ano marcado por inflação ainda acima do centro da meta, juros elevados e crescimento econômico limitado, as projeções para os próximos meses indicam um cenário de ajustes graduais, com desaceleração dos preços, redução lenta dos juros e avanço modesto da atividade econômica.
Segundo estimativas do mercado financeiro divulgado pelo Banco Central, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar 2026 em torno de 4%, patamar acima do centro da meta oficial, de 3%, mas dentro do intervalo de tolerância.
A expectativa indica continuidade do processo de desinflação observado ao longo de 2025, ainda que com pressões persistentes em itens como serviços e alimentos.
No campo monetário, a previsão é de que a taxa básica de juros, a Selic, siga em trajetória de queda ao longo do ano, mas permaneça em nível elevado. Segundo o Focus, a Selic deve terminar 2026 em 12,25% ao ano. A redução dos juros tende a ser gradual, refletindo a cautela do Banco Central diante das expectativas de inflação e do cenário fiscal.
Com juros ainda altos e crédito mais caro, o crescimento da economia deve seguir limitado. As projeções apontam para uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) próxima de 1,8% em 2026, ritmo semelhante ao observado no ano anterior.
O desempenho reflete um ambiente de consumo moderado e investimentos ainda contidos, influenciados pelo custo do financiamento e pelas incertezas internas e externas.
O mercado de trabalho, por sua vez, deve continuar apresentando relativa estabilidade. Após registrar taxas de desemprego mais baixas no último ano, a expectativa é de manutenção do nível de ocupação, ainda que sem avanços expressivos. Esse cenário tende a sustentar o consumo das famílias, mesmo com crescimento econômico mais fraco.
Dólar estável
No câmbio, o mercado projeta um dólar relativamente estável ao longo de 2026, girando em torno de R$ 5,40 a R$ 5,50. A cotação reflete tanto fatores internos, como política fiscal e juros, quanto o ambiente internacional – marcado por incertezas geopolíticas e pela condução da política monetária em economias avançadas.
Para o bolso do consumidor, o cenário projetado para 2026 indica inflação mais controlada em relação a anos anteriores e possibilidade de alívio gradual no crédito, à medida que os juros recuam. Ainda assim, o custo de financiamentos e empréstimos deve continuar alto ao menos no início do ano.
Em síntese, 2026 deve ser marcado por ajustes e cautela na economia brasileira. Com inflação sob controle, juros em queda lenta e crescimento moderado, o país entra no novo ano enfrentando desafios fiscais e externos, mas com indicadores mais previsíveis do que nos períodos de maior instabilidade recente.



