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Satélites contra o ouro ilegal: como a PF usa inteligência artificial para frear o garimpo

Monitoramento revela avanço sobre terras indígenas e unidades de conservação

O garimpo ilegal está longe de ser sinônimo de progresso. Pelo contrário: deixa um rastro de destruição ambiental, social e humana. A atividade provoca desmatamento acelerado, contamina rios e solos com mercúrio, gera graves problemas de saúde, como danos neurológicos, câncer e doenças infecciosas, e aprofunda a desestruturação social. 

Conflitos armados, tráfico de drogas, armas e pessoas passam a fazer parte da rotina dessas regiões, que, em vez de desenvolvimento, acumulam pobreza e precarização das condições de vida.

Na terra indígena yanomami, em Roraima, os efeitos dessa engrenagem ilegal foram devastadores. Segundo o OGES (Observatório do Garimpo e seus Efeitos Socioambientais), o garimpo ilegal foi a principal atividade responsável pela crise humanitária vivida pelo povo yanomami.

Nos últimos anos, entre 25 mil e 30 mil garimpeiros chegaram a invadir o território indígena, impulsionados por uma estrutura robusta que inclui balsas, aviões, bombas de sucção, escavadeiras e acampamentos clandestinos.

O resultado foi o avanço do desmatamento e a contaminação de rios e igarapés pelo uso indiscriminado de mercúrio na extração do ouro.

Levantamento do Observatório da Mineração mostra que, até fevereiro de 2023, as terras indígenas mais impactadas pelo garimpo ilegal foram kayapó (11.542 hectares) e munduruku (4.743 hectares), no Pará, além da terra indígena yanomami (1.556 hectares), especialmente na porção localizada em Roraima.

O mercúrio lançado nos cursos d’água não desaparece com o tempo. Ele se espalha por toda a cadeia alimentar, contaminando os peixes, principal fonte de proteína para populações indígenas e ribeirinhas da região Norte.

Com o pescado impróprio para consumo e a água contaminada, quadros crônicos de desnutrição se agravam. Soma-se a isso o avanço da malária, favorecida pela formação de poças de água nas áreas escavadas, que funcionam como criadouros do mosquito transmissor. O resultado é trágico: centenas de mortes por causas evitáveis.

As Unidades de Conservação também entraram na mira dos garimpeiros. Entre 2010 e 2020, a área ocupada pela atividade garimpeira cresceu 352% dentro dessas áreas protegidas, segundo levantamento da rede MapBiomas (2022).

As três unidades mais afetadas foram a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós (43.266 hectares), a Floresta Nacional do Amaná (5.400 hectares) e a Floresta Nacional do Crepori (1.686 hectares), todas no Pará.

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