Onde investir em 2026 em meio a expectativa de queda dos juros?
Com expectativa de queda da Selic, especialistas analisam oportunidades em ações, renda fixa, IA e investimentos no exterior

Após um 2025 de recordes da bolsa de valores mesmo em meio a um cenário de juros altos, o ano de 2026 reserva expectativas de cortes da Selic já no primeiro semestre e, na contramão, preocupações maiores com a política fiscal, dado que será ano de eleição.
No momento, o Banco Central (BC) tem se mantido cauteloso acerca de sinalizações sobre a queda de juros. Em coletiva de imprensa ainda neste mês de dezembro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reiterou diversas vezes que ‘não há porta fechada nem seta dada’ para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).
O presidente da autarquia frisa que o comitê tem preferido ‘esperar chegar lá’ com mais dados nas mãos em detrimento de sinalizar algo de antemão.
“A facilidade que temos em não dar nenhuma pista não é por estarmos sendo habilidosos em esconder algo, mas na verdade por que não temos sobre o que dar uma pista. É mais vantajoso não tomar essa decisão agora, ganhar este tempo e poder tomar essa decisão somente em janeiro. É assim que deve ser entendida essa questão”, disse.
Apesar disso, após um período ‘bastante prolongado’ de Selic a 15%, a taxa básica de juros deve começar a ser cortada no começo de 2026. O consenso do mercado financeiro espera que a taxa feche o ano a 12,25%, representando uma retração de 2,75 ponto percentual (p.p.) em relação ao patamar atual.
Bolsa de valores segue atrativa e com múltiplos descontados
O ano de 2025 foi marcante para o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, dadas as várias renovações de recordes – e ainda assim, uma fatia significativa do mercado enxerga potencial de novas altas por conta dos múltiplos vistos como ‘baratos’.
O Ibovespa passou boa parte do ano em trajetória de alta, renovando recordes históricos e superando os 164 mil pontos pela primeira vez, refletindo um mix de fatores que voltaram a colocar o Brasil no radar dos grandes players globais do mercado financeiro.
Um levantamento da Elos Ayta Consultoria aponta que, dentro da carteira do Ibovespa, cerca de 72% dos papéis conseguiram ultrapassar a performance do CDI, um feito relevante considerando que o CDI se beneficiou diretamente do patamar elevado da Selic.
Mesmo com esse movimento positivo nas cotações, muitos analistas destacam que os múltiplos de avaliação do Ibovespa permanecem abaixo das médias históricas.
Um dos indicadores mais observados é o Preço/Lucro, que relaciona quanto o mercado está disposto a pagar pelos lucros das empresas. Estimativas apontam que o Ibovespa estaria negociando a cerca de 9 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses, contra uma média histórica mais alta.
Esse patamar implica que, sob a ótica de valuation, o índice ainda pode estar com desconto em relação aos padrões históricos – e que, para voltar à média tradicional desse indicador, as ações poderiam subir cerca de 25% apenas para normalizar esse múltiplo.
Ao excluir empresas que tendem a puxar o índice para baixo, como grandes exportadoras de commodities, o múltiplo do Ibovespa também continua inferior à média histórica de mercados emergentes, reforçando essa noção de valuation atrativo.
Fernando Ferreira, Felipe Veiga e Raphael Figueiredo, da XP, destacam que a visão da casa segue construtiva para 2026 em se tratando de ações, mas com seletividade, focando em empresas com geração de caixa e balanços menos alavancados.
O cenário-base da casa é de Ibovespa a 185 mil pontos, com um potencial de valorização de 17,5% – cenário que assume uma expansão de múltiplos e juros reais de longo prazo em torno de 7,1%.
A XP espera que o Banco Central inicie cortes na Selic em março de 2026, levando a taxa para 12,00% ao final do ano. Historicamente, a bolsa avança em média 39,2% em ciclos de afrouxamento.



