Petróleo na Foz do Amazonas: é hora do Brasil descer do muro rumo à verdadeira transição energética
Incentivos fiscais à indústria do petróleo são um dos entraves concretos para uma verdadeira transformação energética no país

Em fevereiro deste ano, o presidente Lula disse: “A gente não pode saber que tem uma riqueza embaixo de nós e não vai explorar”. A afirmação se referia à possibilidade de extração de petróleo na foz do Rio Amazonas, algo cujo risco pode trazer consequências ambientais trágicas.
“Um acidente de pequenas, médias ou grandes proporções [na Foz do Amazonas] pode ser fatal para o bioma perto do local de exploração e, dependendo das correntes, da coluna da água no momento, o óleo pode ir para outras regiões”, descreve o ambientalista Ilan Zugman, em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

“A transição energética é um dos temas mais importantes do mundo. Isso ocorre pela necessidade urgente que a ciência e os eventos climáticos extremos nos mostram de termos que substituir um combustível mais poluente, como os combustíveis fósseis, por fontes de energia de menor impacto, que são as energias renováveis. Temos que fazer essa transição de maneira justa e rápida para conseguirmos limitar o aquecimento global. Esse é um tema urgente no cenário mundial”, propõe o entrevistado.
Este ano, o Brasil sediará a COP30 e pretende, com isso, se tornar exemplo em termos do debate ambiental, mas os gestos políticos têm ido na direção contrária.
“Um país que deseja ser líder climático e honrar compromissos feitos, não pode querer virar um dos cinco maiores exportadores de petróleo até o fim dessa década. Isso é uma contradição enorme e tira a credibilidade do Brasil de se posicionar como líder climático”, ressalta. “Esse ano o Brasil tem uma oportunidade única de escolher para qual lado do muro vai descer: se é para o lado da transição energética e da proteção do meio ambiente ou se é para o lado do setor fóssil”, complementa.
A hora é de ouvir os maiores especialistas no tema da preservação ambiental. “Falta aos políticos e tomadores de decisão escutarem mais os povos indígenas e as comunidades tradicionais, que são as grandes autoridades morais nas questões ambiental e climática. São eles que protegem nosso planeta há milênios”, sugere Zugman.