Tarifaço de Trump espalha tensão mundo afora
Brasil avalia resposta a tarifaço de Donald Trump enquanto Canadá, China e União Europeia se preparam para contramedidas

Esta quarta-feira, (2), marca o início da nova rodada de tarifas sobre importações anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Batizado pelo republicano de “Dia da Libertação”, o tarifaço busca, segundo ele, equilibrar a balança comercial norte-americana e proteger a indústria nacional.
O pacote inclui tarifas sobre diversos setores, como automóveis, aço, alumínio e, até mesmo, produtos farmacêuticos.
Os detalhes exatos das alíquotas e sua aplicação ainda não foram divulgados oficialmente, mas Trump já afirmou que a medida afetará países como Brasil, União Europeia, Canadá, México, China e Coreia do Sul.
A incerteza sobre o impacto das tarifas gerou preocupações nos mercados financeiros e entre os líderes globais, que avaliam formas de reação.
O que Trump pretende com o tarifaço?
A política tarifária de Trump tem como objetivo impor taxas equivalentes às cobradas por outros países sobre produtos dos Estados Unidos. O presidente norte-americano argumenta que as novas tarifas são uma forma de combater o que considera práticas comerciais desleais e incentivar a produção doméstica.
Medidas anunciadas
- Tarifa de 25% sobre automóveis importados;
- Aumento de 20% nas tarifas sobre produtos chineses;
- Tarifas adicionais sobre produtos farmacêuticos importados (ainda sem definição de alíquota);
- Tarifa de 25% sobre aço e alumínio (já em vigor desde 12 de março);
- Impostos sobre produtos do Canadá e México que não se enquadrem no USMCA (novo acordo comercial entre os países da América do Norte).
Reação do Brasil
No Brasil, a decisão de Trump gerou preocupação, principalmente, entre os setores de aço e alumínio, que já enfrentavam tarifas desde março. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as medidas e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não seja suficiente, o governo brasileiro considera adotar tarifas sobre produtos estadunidenses.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país aguardará os anúncios oficiais de Trump antes de definir a resposta. “Temos o dever de proteger a economia brasileira e manter o diálogo com os Estados Unidos”, declarou.
No Congresso, senadores e deputados discutem a possibilidade de endurecer a política comercial contra os EUA. Também na terça-feira, o Senado aprovou o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil retaliar barreiras comerciais impostas por outros países. O texto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde deve ser analisado com urgência.