
O partido Tisza, de centro-direita, foi o vencedor das eleições na Hungria hoje e conquistou maioria no parlamento. Assim, após 16 anos, Viktor Orbán deixará o poder.
O que aconteceu
- 95,63% das urnas foram apuradas até a noite deste domingo. O partido de oposição, Tisza, liderado por Péter Magyar, de centro-direita, conquistou 137 das 199 cadeiras do Parlamento.
- O líder da extrema direita na Hungria, Viktor Orbán, admitiu hoje derrota nas urnas antes da apuração total dos distritos eleitorais. “Resultado da eleição é claro e doloroso”, afirmou. Antes do pleito, as pesquisas locais mostravam que o partido de Orbán, Fidesz, estava com 41% das intenções de voto, ou seja, nove pontos atrás do adversário.
- Nas redes sociais, Magyar disse que recebeu telefonema de Orbán. “O primeiro-ministro Viktor Orbán acabou de ligar para nos felicitar pela nossa vitória”, escreveu. Com 53,45% dos distritos eleitorais apurados, o partido Tisza estava com 52,49% dos votos contra 38,83% para o atual grupo político.
A presidente da Comissão Europeia disse que hoje o coração da Europa bate mais forte na Hungria. Nas redes sociais, Ursula von der Leyen afirmou que o país “retoma seu caminho europeu, a união fica mais forte”. Magyar também recebeu mensagens do presidente da França e do chanceler alemão, Friedrich Merz. Nas redes sociais, Emmanuel Macron disse que a França celebra a “adesão do povo húngaro aos valores da União Europeia”.
- Os eleitores foram às urnas hoje para escolher os ocupantes de 199 cadeiras do parlamento húngaro. Já havia a expectativa de que uma participação recorde da população húngara nessas eleições, incluindo os jovens. Orbán teve apenas 8% de aprovação entre os eleitores com menos de 30 anos.
- Conservador, Magyar é ex-integrante do Fidesz. Ele rompeu com o grupo em 2024 e prometeu desmontar “tijolo por tijolo” o sistema político criado por Orbán. Na campanha, Magyar explorou a insatisfação popular com a economia, a alta do custo de vida e a corrupção.
“O resultado das eleições ainda não é definitivo, mas é compreensível e claro. O resultado é doloroso para nós. A responsabilidade e a possibilidade de governar não nos foram dadas. Já parabenizei o vencedor”, disse Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria.

Impacto global e guerra na Ucrânia
A eleição atrai a atenção da União Europeia, da Rússia e dos Estados Unidos. Orbán é aliado de Vladimir Putin e de Donald Trump, que enviou J.D. Vance a Budapeste na semana passada. A mudança de governo destravaria um empréstimo europeu de 90 bilhões de euros e tiraria da Rússia seu principal parceiro no bloco.
Orbán construiu um modelo de “democracia iliberal” ao longo dos últimos 16 anos. A gestão enfrenta críticas da UE por reduzir a liberdade de imprensa, mas inspira a extrema-direita mundial. No Brasil, o primeiro-ministro já foi elogiado pela família Bolsonaro e defendeu Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, chamou o então presidente de “meu irmão”.



