
Conhecida por seu uso consolidado no universo esportivo, a creatina tem ganhado um novo espaço de interesse: o funcionamento do cérebro. Tradicionalmente associada ao ganho de força e desempenho físico, a substância é investigada também por seu possível papel na melhora da memória e de outras funções cognitivas.
De acordo com a nutricionista clínica Amanda Figueiredo, formada pela Universidade de São Paulo, há evidências científicas que sustentam essa nova perspectiva.
“Estudos já demonstram que a suplementação de creatina pode trazer benefícios para a memória e outras funções cognitivas, principalmente em situações que exigem processamento rápido e memória de curto prazo ou em pessoas que podem ter uma deficiência no consumo de creatina, como vegetarianos, veganos e idosos”, afirma.
O mecanismo por trás desses possíveis benefícios está relacionado ao papel da creatina na produção de energia celular. No cérebro, essa função é essencial para sustentar atividades cognitivas complexas, especialmente aquelas que demandam rapidez e precisão.
Apesar do cenário promissor, a especialista faz um alerta: “Embora os resultados sejam animadores, os efeitos variam bastante entre os estudos e entre os indivíduos. Ainda faltam mais pesquisas em longo prazo e com diferentes faixas etárias”.
Entre os principais efeitos investigados da creatina no cérebro, destacam-se:
- Melhora da memória de trabalho: fundamental para reter e manipular informações temporárias, como ao resolver problemas ou seguir instruções
- Aumento da capacidade de raciocínio: a substância pode favorecer tarefas que exigem agilidade mental e tomada de decisões
- Redução da fadiga mental: ao otimizar a energia cerebral, pode ajudar a diminuir o cansaço em atividades cognitivamente exigentes
- Potencial neuroprotetor: estudos iniciais sugerem que a creatina pode contribuir para a proteção das células cerebrais contra danos
Ainda que os benefícios não sejam universais, o avanço das pesquisas reforça a ideia de que a creatina pode ter um papel mais amplo do que se imaginava, não apenas no desempenho físico, mas também na saúde mental e cognitiva.



