Gigante nuclear projetado para abrir caminho no fim do mundo
O quebra-gelo russo que pesa 33 mil toneladas, rompe 3 metros de gelo, escolta navios de gás pelo Ártico e virou a arma secreta de Moscou na disputa pela Rota do Norte

O Yakutiya, novo quebra-gelo nuclear do Projeto 22220, entra no foco da estratégia russa no Ártico ao sustentar escoltas e abrir canais na Rota Marítima do Norte, onde gelo e profundidade variam e condicionam a navegação
O quebra-gelo nuclear Yakutiya integra a classe russa Projeto 22220 e foi desenvolvido para apoiar a navegação em áreas do Ártico onde o gelo pode interromper rotas por longos períodos
Construído pelo estaleiro Baltic Shipyard, em São Petersburgo, o navio é operado pela Atomflot, divisão da Rosatom dedicada aos quebra-gelos nucleares.
O objetivo declarado do programa é manter a circulação marítima em trechos da Rota Marítima do Norte com apoio de escolta e abertura de canais em gelo espesso, segundo materiais e comunicados do setor.
Ao longo dos últimos anos, a região passou a concentrar operações logísticas e projetos ligados a transporte e energia.
Análises do Center for Strategic and International Studies (CSIS) descrevem a Rota Marítima do Norte como um corredor ao longo da costa russa, do estreito de Bering, a leste, até a área do Kara Gate, a oeste.
O centro também aponta que a frota de quebra-gelos é um componente relevante para sustentar tráfego e presença operacional em condições extremas, especialmente durante o inverno.

Quebra-gelos nucleares do Projeto 22220 e a operação “universal”
Relatórios e descrições técnicas do Projeto 22220 caracterizam os navios como quebra-gelos nucleares “universais”, termo usado para indicar a capacidade de operar tanto em mar aberto quanto em áreas de menor profundidade no Ártico, inclusive perto de desembocaduras de rios siberianos.
A proposta é permitir atuação em regiões onde a combinação entre gelo e variações de calado exige um perfil de operação mais flexível, conforme explicações divulgadas por fontes do setor nuclear e marítimo.
Além disso, publicações especializadas descrevem que a classe foi desenhada para escoltar embarcações de grande porte em rotas árticas.
Esse papel inclui a abertura de um canal de navegação com largura compatível com navios mercantes que operam na região, em especial em trechos onde a formação de gelo costuma limitar a passagem.
Reatores RITM-200, comissionamento e testes de mar
O avanço mais relevante no processo de comissionamento do Yakutiya ocorreu quando o primeiro dos dois reatores RITM-200 atingiu o nível mínimo controlado de potência.
O World Nuclear News registrou em 10 de outubro de 2024 que a etapa foi alcançada após o carregamento de combustível e verificações de rotina, procedimento que integra o caminho até a operação regular.
Na sequência, veículos especializados em cobertura marítima relataram que, em dezembro de 2024, o navio concluiu testes de mar do construtor e foi entregue ao operador.
O Baird Maritime noticiou que houve cerimônia de entrega em 28 de dezembro de 2024, com o hasteamento da bandeira russa, marco tradicional de incorporação do navio ao serviço.
Meses depois, em abril de 2025, o Yakutiya deixou São Petersburgo em direção ao porto-base de Murmansk.
O Barents Observer reportou a partida em 4 de abril e mencionou estimativa de chegada em 13 de abril.
Na mesma cobertura, o veículo apontou que a expectativa era de que o quebra-gelo seguisse para o mar de Kara, onde a atuação de escolta costuma apoiar fluxos marítimos no Ártico ocidental.

Dimensões do Yakutiya, velocidade e capacidade de quebrar gelo
As especificações divulgadas sobre a classe 22220 citam que o Yakutiya tem 173,3 metros de comprimento e 34 metros de boca máxima.
Em condições de águas livres, a velocidade de projeto é informada como 22 nós.
Esses dados aparecem em publicações do setor nuclear e em materiais técnicos associados ao programa.
A capacidade de quebrar gelo é apresentada, em descrições gerais, como próxima de três metros, embora alguns materiais façam distinção entre capacidade máxima e desempenho contínuo em gelo nivelado.
Em diferentes referências técnicas, também aparece a marca de 2,8 metros em condições específicas, o que indica variação conforme o critério adotado e o tipo de gelo considerado.
Por essa razão, fontes do setor costumam apresentar o desempenho em termos de faixas e parâmetros operacionais.
O sistema de propulsão do Yakutiya é baseado em dois reatores RITM-200.
O World Nuclear News descreve esses reatores como unidades de água pressurizada com potência térmica de 175 MW cada.
A mesma cobertura associa o projeto a missões prolongadas e a um modelo de operação voltado para escolta e abertura de canais durante o ano.
Rota Marítima do Norte e o papel da escolta no Ártico russo
O interesse na Rota Marítima do Norte está ligado à logística ao longo do litoral setentrional russo e ao escoamento de cargas em áreas onde o gelo impõe restrições.
O CSIS aponta que, para ampliar a janela de navegação e manter operações regulares, a rota depende de infraestrutura e de capacidade de escolta, o que amplia a relevância de uma frota numerosa de quebra-gelos.
Nesse contexto, o Yakutiya faz parte de uma série maior do Projeto 22220, citada em acompanhamento da indústria e em publicações do setor.
Em abril de 2025, o World Nuclear News abordou a expansão planejada da frota e voltou a destacar as características gerais da classe, como a operação em mar aberto e em águas rasas, além da atuação em gelo espesso.
A entrada do Yakutiya em missões de escolta também foi tema de reportagens posteriores.
Em maio de 2025, o Barents Observer noticiou a primeira viagem regular do navio após a incorporação ao serviço e atribuiu à Rosatomflot informações sobre a missão.
A cobertura indicou que a operação estava ligada a uma rota afetada por gelo, com emprego do quebra-gelo para permitir a navegação até um terminal na região ártica.
Com o navio integrado à frota, a disponibilidade de escolta passa a depender de escalas, posicionamento e rotas atribuídas a cada unidade, de acordo com o planejamento do operador.
Em coberturas do setor, áreas como o mar de Kara aparecem com frequência por concentrar trechos que exigem apoio de quebra-gelos em parte do ano, sobretudo quando a formação de gelo limita a passagem de navios mercantes.



