Casal transforma micro-ônibus escolar sucateado, em motorhome dos sonhos
Sem nenhuma experiência, eles viajaram pelo Brasil, cruzaram o Uruguai e Argentina e agora moram na estrada

Uma reforma completa em um micro-ônibus escolar sucateado mostrou que, com paciência e criatividade, dá para transformar ferrugem, vazamentos e barulho de lixadeira em casa confortável, funcional e cheia de personalidade
O projeto começou com um veículo cansado e sem glamour, desses que muita gente mandaria direto para o ferro-velho, e terminou com um motorhome completo, com banheiro azulejado, cozinha planejada, deck no teto, painéis solares e um interior que não lembra em nada a antiga frota escolar. Foram 14 meses de trabalho intenso até que o micro-ônibus escolar sucateado virasse um lar sobre rodas.

Do micro-ônibus escolar sucateado à primeira “tela em branco”
Quando o casal comprou o veículo, o cenário era o esperado para um micro-ônibus escolar sucateado: bancos velhos, teto e paredes forrados com materiais antigos, claraboia gigante desajustada, exaustor ultrapassado, piso com ferrugem aparente e muita sujeira acumulada.
Em vez de começar pela decoração, eles foram direto para a base. Primeiro, desmontaram tudo: retiraram bancos, forro do teto e das paredes, janelas, claraboia, exaustor e o piso inteiro. Só depois dessa desmontagem radical o interior virou o que eles chamavam de “tela em branco”, pronto para ser reconstruído com outra lógica.
O micro-ônibus fica guardado em um galpão, o que ajudou muito na obra. Mesmo em dias de chuva ou sol forte, o casal conseguia seguir trabalhando protegido, sem depender de tempo bom para avançar. Ali dentro, o antigo ônibus escolar passaria a maior reforma da vida.

14 meses entre ferrugem, solda e o novo piso
Com o esqueleto exposto, apareceu a parte menos fotogênica e mais necessária: ferrugem, pontos fracos na estrutura e regiões que precisavam de reforço. Davi aprendeu a soldar do zero para poder fechar laterais, criar novos suportes e reforçar as partes que iriam receber janelas, móveis e equipamentos pesados no futuro.
Enquanto isso, Paula encarava a preparação das superfícies. Escova de aço na parafusadeira, produtos anticorrosivos e tinta específica para metal foram usados para limpar o piso e o chassi. A ideia era simples e trabalhosa: eliminar ao máximo a ferrugem e proteger o que ficasse.
Depois de tudo escovado e tratado, o piso recebeu manta asfáltica e vedação com cola, criando uma barreira contra umidade e vibração.
Em seguida, entraram as placas de compensado tratadas e, por cima delas, o piso que hoje aparece nos vídeos: um revestimento contínuo, instalado inclusive na escada, que ajuda a deixar o visual mais acolhedor e facilita a limpeza no dia a dia.


Teto, claraboia e o deck que virou quintal
O teto foi um capítulo à parte na transformação do micro-ônibus escolar sucateado. A antiga claraboia enorme, que não faria mais sentido no projeto, foi totalmente fechada com fibra de vidro, reforços metálicos e muita cola PU. Em seu lugar, o casal instalou uma nova claraboia, menor e mais eficiente, pensada para ventilação e saída de luz.
Além disso, o ônibus ganhou climatizador de teto e ar-condicionado 12 V na parte da cabine, exigindo cortes precisos, reforços com metalon e ajustes na estrutura. Cada recorte precisou respeitar curvas do teto original, o que levou horas de teste com moldes de papelão até chegar no encaixe ideal.
Por dentro, o teto recebeu isolamento com manta aluminizada e compensado. Depois veio a parte mais bonita: um ripado de madeira que acompanha toda a extensão interna, inclusive nas curvas mais acentuadas da frente e da traseira, escondendo emendas e parafusos e criando uma estética de “casa” e não de ônibus.
Na parte externa, acima de tudo isso, nasceu o deck. Com perfis de alumínio e madeira tratada, o casal criou um pequeno terraço em volta da claraboia e do climatizador.
Para completar, instalaram também a estrutura dos painéis solares, que hoje garantem a geração de energia suficiente para a rotina no motorhome. O antigo teto escolar virou quintal e usina elétrica ao mesmo tempo.

Banheiro completo dentro de um micro-ônibus escolar sucateado
Em um espaço reduzido, cada centímetro do banheiro precisava ser pensado com cuidado. O box foi construído com paredes em compensado, curvadas e depois pintadas de branco, até chegar em um visual limpo, com cantos selados e acabamento contínuo.
Em seguida veio a parte mais ousada: o revestimento cerâmico nas paredes do banheiro, com pastilhas de 15 por 15 centímetros e espaçadores milimétricos. A fixação foi feita com cola PU, a mesma usada em partes da estrutura, adaptada para segurar as peças levinhas dentro do motorhome.
O chuveiro específico para motorhome foi instalado junto de um monocomando e das entradas de água quente e fria. O piso recebeu ralo, caimento e ligação com a caixa de água servida, que fica embaixo do veículo. Tudo foi testado na prática, com banho real, para verificar se havia vazamentos ou retorno de água.
No fim, o banheiro do micro-ônibus escolar sucateado ficou compacto, mas completo: vaso portátil, chuveiro, revestimento até a altura de uma pessoa em pé e espaço suficiente para uso diário, sem exageros, mas sem abrir mão de conforto.
Cozinha, móveis e marcenaria feita peça por peça
A cozinha nasceu em uma das laterais do ônibus. A bancada de madeira maciça foi feita sob medida, cortada para receber a cuba de inox, o fogão cooktop, a calha instalada junto à janela e o espaço para temperos.
A mesma madeira usada no deck e em outros pontos foi reaproveitada aqui, criando uma identidade única no interior.
Abaixo da bancada, o casal instalou gavetas, prateleiras e portas, com ferragens ajustadas na unha para aguentar o uso na estrada. Nada saiu pronto de loja: cada armário foi cortado, prensado, montado e ajustado dentro do próprio galpão.
Na parte superior, armários aéreos amplos percorrem boa parte da cozinha, com portas que receberam acabamento em palhinha e fita de borda. O fechamento das portas ganhou sistema de fecho toque e batentes internos, evitando abertura durante a viagem.
Na frente, uma torre abriga a geladeira e um eletrodoméstico 3 em 1, que funciona como micro-ondas, grill e Air Fryer. Um armário pequeno suspenso na cabine, feito seguindo a curva do teto, aproveita o espaço acima do para-brisa.
Sofá-baú, divisória da cama, nichos iluminados e uma mesa retrátil completam o conjunto, sempre respeitando medidas do antigo corredor escolar.

Elétrica, hidráulica e a parte invisível do motorhome
Por trás de paredes e móveis, o micro-ônibus escolar sucateado recebeu um sistema completo de elétrica e hidráulica.
A parte de energia conta com bateria, painéis solares, conversor, disjuntores, iluminação em LED distribuída pelo ripado e diversas tomadas 12 V e 110 V em pontos estratégicos, como cozinha, nicho e torre dos eletros.
Na hidráulica, o casal instalou caixa de água limpa, caixa de água servida, bomba d’água, acumulador de pressão e aquecedor a gás. A água é distribuída para a cozinha, para o banheiro e para um chuveirinho externo instalado na porta de entrada, pensado para lavar o pé ou dar banho no cachorro antes de entrar.
Antes de considerar o sistema pronto, eles fizeram vários testes: ligaram torneiras, simularam banhos, encheram e esvaziaram ralos. Alguns vazamentos apareceram, o que exigiu reforço em conexões e emendas. Só depois de tudo corrigido a hidráulica foi considerada confiável para uso diário.

De sucata a casa sobre rodas construída à mão
Depois de 14 meses entre solda, massa corrida, PU, cerâmica, madeira, piso, elétrica e hidráulica, o que antes era um micro-ônibus escolar sucateado virou um motorhome completo, com cara de projeto profissional e história de obra feita na raça.
Do lado de fora, a antiga lataria amarela deu lugar a uma plotagem clara, com montanhas, sol e árvores, escolhida para combinar com o interior em tons de verde e madeira. Do lado de dentro, cada detalhe lembra que ali nada foi instalado por uma fábrica: tudo foi pensado, cortado, colado e parafusado pelo próprio casal.
O ônibus que um dia carregou estudantes hoje carrega o sonho de viver na estrada, com a liberdade de estacionar a casa onde o mapa permitir.




