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De cada R$ 100 pagos na conta de luz, até R$ 40 não são energia – são impostos

Transmissão cara, subsídios cruzados e encargos pouco transparentes explicam por que o consumidor não vê o preço cair

O Brasil bate recordes sucessivos de geração de energia renovável. Hidrelétricas, eólicas e solares respondem por mais de 80% da eletricidade do país – um número que muitos países ricos ainda sonham alcançar. Mesmo assim, a conta de luz do brasileiro segue pesada, subindo ano após ano e pressionando o orçamento das famílias.

A pergunta é inevitável: Se a energia é limpa, abundante e “barata” de produzir, por que a fatura não cai?

A resposta está longe das usinas. Ela se esconde em custos invisíveis, encargos pouco compreendidos e um sistema que transfere despesas entre consumidores.

O problema não está só na geração – mas no caminho da energia

Produzir energia é apenas uma parte da conta. Levar essa energia até casas, comércios e indústrias custa caro – e esse custo cresce continuamente.

Transmissão: energia viaja milhares de quilômetros

Grande parte da energia renovável do Brasil é gerada longe dos grandes centros consumidores:

  • Hidrelétricas na região Norte;
  • Parques eólicos no Nordeste;
  • Usinas solares em áreas remotas.

Para chegar ao Sudeste e ao Sul, essa energia percorre linhas de transmissão gigantescas, que exigem:

  • Obras bilionárias;
  • Manutenção constante;
  • Torres, cabos e subestações.

Esses custos não aparecem como “transmissão” na conta, mas estão embutidos no valor final do kWh.

Subsídios cruzados: quando uns pagam a conta de outros

Outro fator pouco conhecido é o chamado subsídio cruzado.

Funciona assim:

  • certos setores, regiões ou grupos recebem descontos ou benefícios;
  • o custo desses benefícios não some;
  • ele é redistribuído para os demais consumidores.

Na prática, parte da sua conta de luz pode estar pagando:

  • incentivos a fontes específicas;
  • descontos para grandes consumidores;
  • políticas públicas embutidas na tarifa.

O resultado é um sistema em que quem não tem benefício acaba pagando mais.

Encargos setoriais: a parte mais confusa da conta

Se existe algo que quase ninguém entende na conta de luz, são os encargos setoriais. Eles incluem fundos e taxas criados ao longo de décadas para:

  • custear políticas energéticas;
  • financiar programas específicos;
  • cobrir riscos do sistema elétrico.

O problema é que esses encargos:

  • se acumulam;
  • raramente são extintos;
  • crescem silenciosamente.

Em muitos casos, os encargos pesam mais do que a própria energia consumida.

Energia limpa não significa energia barata na ponta

Mesmo com recordes de geração renovável, o preço final da energia depende de:

  • infraestrutura cara;
  • modelo regulatório complexo;
  • decisões políticas e econômicas.

Ou seja: o Brasil tem energia limpa e abundante, mas um sistema caro para entregá-la ao consumidor final.

Quem mais sente no bolso

O impacto é maior para:

  • famílias de baixa renda, que gastam mais da renda com energia;
  • pequenos comércios;
  • consumidores residenciais sem acesso a benefícios ou geração própria.

Enquanto isso, grandes consumidores conseguem negociar contratos e reduzir custos – ampliando a sensação de desigualdade na conta.

Por que a conta de luz segue sendo um problema estrutural

A conta de luz alta no Brasil não é resultado de um único vilão, mas de uma soma de fatores:

  • transmissão longa e cara;
  • subsídios cruzados pouco transparentes;
  • encargos acumulados;
  • modelo que dilui custos e dificulta o entendimento do consumidor.

Enquanto esses pontos não forem enfrentados de forma clara, a energia continuará limpa na origem – e cara na fatura.

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