Tecnologia para chegar à Groenlândia faz EUA dependerem de aliados
Ilha autônoma no Ártico vem sendo alvo de cobiça por parte do governo americano

Um tipo de tecnologia faz com que os Estados Unidos esteja dependente de seus aliados e adversários para chegar à Groenlândia, ilha autônoma que pertence à Dinamarca e que vem sendo alvo de cobiça por parte do governo americano.
Trata-se dos quebra-gelos, navios que trazem em sua estrutura motores potentes, cascos reforçados e proas que podem esmagar o gelo que encontram pelo caminho.
Hoje, o governo dos EUA conta com apenas três tipos dessa embarcação em sua frota. Um acordo prevê que 11 sejam adquiridos, mas, para isso, o país terá que recorrer a aliados e até mesmo adversários.
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro do ano passado, o presidente americano, Donald Trump, vem afirmando que a aquisição da ilha é importante para a segurança nacional e uma estratégia para impedir que a Rússia e a China a “tomem”. A investida é rejeitada pela Dinamarca e países europeus.
Durante a sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, Trump, ao mencionar a ilha, destacou que “para chegar a essa Terra rara, é preciso atravessar centenas de metros de gelo.”
Em um cenário em que quisesse aumentar a sua frota de quebra-gelos, os EUA teriam que recorrer aos seus adversários China, Rússia, ou ao Canadá e Finlândia, aliados considerados de longa data, mas que vêm sendo alvo de críticas e ameaças de tarifas.
O desenvolvimento dos quebra-gelos é cara, tanto para construir quanto para se manter. Outro obstáculo se dá pela busca pela mão de obra qualificada, que costuma ser restrita a determinados lugares. Um deles é a própria Finlândia, que projeta 80% de todos os navios desse modelo em operação.
No ranking de país com a maior frota de quebra-gelos, o primeiro lugar é ocupado pela Rússia, que tem cerca de 100 embarcações. Em segundo vem o Canadá, que planeja dobrar para cerca de 50. Já a China tem 5 quebra-gelos.
Durante o seu primeiro mandato, Trump chegou a priorizar a compra de embarcações capazes de navegar sobre a camada congelada. A estratégia foi mantida durante o mandato do ex-presidente Joe Biden, que assinou o acordo para a compra dos 11 quebra-gelos.
Desse número, quatro estavam previstos para serem construídos na Finlândia. Os outros sete seriam desenvolvidos entre uma propriedade canadense no Texas e um estaleiro no Mississippi de propriedade conjunta dos EUA e do Canadá.



