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Fim da guerra da Ucrânia depende do jogo de forças entre EUA e Rússia

Negociações avançam, mas disputa territorial mantém impasse e expõe a Ucrânia sob pressão entre interesses estratégicos de EUA e Rússia

A guerra da Ucrânia está prestes a completar quatro anos e entrou, na última semana, em mais um capítulo histórico. Pela primeira vez desde o início do conflito em larga escala, delegações da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia sentaram-se à mesma mesa para discutir um possível cessar-fogo duradouro.

O gesto, ainda que cercado de cautela, marca uma inflexão diplomática em um conflito que, até aqui, se sustentou mais pela lógica militar do que pela negociação política.

As conversas, realizadas nos Emirados Árabes Unidos, ocorrem em meio a uma ofensiva diplomática liderada por Washington, que assumiu o protagonismo na tentativa de encerrar a guerra. Apesar do simbolismo do encontro trilateral, negociadores e líderes envolvidos reconhecem que o processo segue travado em um ponto central: a disputa territorial no leste ucraniano.

Segundo analistas, sem o reconhecimento dessas conquistas, Moscou dificilmente aceitará um acordo de paz duradouro.

“Uma única questão”

  • O enviado especial dos Estados Unidos para a guerra da Ucrânia, Steve Witkoff, à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que as negociações chegaram a um impasse concentrado em apenas um ponto.
  • Embora o diplomata tenha evitado especificar o entrave, ele já havia indicado anteriormente que a questão territorial segue como o principal obstáculo.
  • Uma delegação norte-americana chegou a desembarcar em Moscou para conversas diretas com o presidente russo, Vladimir Putin.
  • Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, os diálogos tratam da resolução do conflito ucraniano e de “outros temas relacionados”.

Territórios como linha vermelha

Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território internacionalmente reconhecido como parte da Ucrânia, incluindo quase toda a região de Luhansk e áreas de Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.

Moscou exige que Kiev abandone oficialmente as reivindicações sobre essas regiões, anexadas pela Rússia em 2022 após referendos não reconhecidos pela comunidade internacional.

O governo ucraniano rejeita essa condição. Volodymyr Zelensky já admitiu, no entanto, a possibilidade de discutir concessões por meio de um referendo interno, mas descarta reconhecer formalmente os territórios como parte da Rússia.

Em Abu Dhabi, Zelensky adotou um tom cauteloso ao comentar o início das conversas trilaterais. “Veremos como a conversa se desenrola, quais serão os resultados. Ainda é muito cedo para conclusões”, afirmou.

Do lado russo, a postura permanece rígida. O assessor do Kremlin, Yury Ushakov, afirmou que não há base para um acordo de longo prazo sem a resolução da questão territorial e reiterou que Moscou continuará perseguindo seus objetivos “no campo de batalha” enquanto não houver concessões concretas.

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