Saúde

Dor no joelho: o que os genes revelam sobre a osteoartrite

Genética pode ajudar a explicar porque a osteoartrite de joelho aparece de forma mais grave em certas pessoas, especialmente em mulheres

Você já passou há muito tempo da adolescência e começa a sentir o peso da idade, especialmente no joelho. Ele falha de vez em quando, estala, range ao se movimentar. A dor aparece com frequência, inclusive em repouso, e levantar depois de um tempo sentado ou deitado se torna cada vez mais difícil. Em alguns momentos, o joelho parece travar, como se simplesmente não quisesse obedecer.

Sinto muito dizer, mas você pode estar entre as milhões de pessoas que convivem com a osteoartrite, uma doença inflamatória crônica, progressiva e dolorosa, marcada pela degeneração da cartilagem, por alterações estruturais nos tecidos articulares e pela inflamação da sinóvia.

osteoartrite de joelho é a forma mais comum da doença, justamente porque o joelho sustenta grande parte do peso corporal e está constantemente exposto ao estresse mecânico.

Em 2021, a prevalência global da osteoartrite de joelho foi estimada em cerca de 4,7 mil casos, com uma taxa de incidência de quase 391 novos casos a cada 100 mil pessoas. Esses números são ainda mais altos entre as mulheres. Especialmente após a menopausa, alterações hormonais e biomecânicas aumentam a vulnerabilidade à doença.

O avanço da idade também contribui para a degeneração das articulações e para a redução da capacidade de reparo dos tecidos. Além disso, estudos indicam que pessoas mais altas apresentam maior risco de desenvolver osteoartrite de joelho.

Muito além do desgaste: o papel da genética

Apesar de todos esses fatores conhecidos, a osteoartrite de joelho não tem uma única causa. Sua origem é multifatorial e ainda não totalmente compreendida.

O que se sabe é que a genética tem um peso importante nessa história: estima-se que cerca de 39% do risco de desenvolver a doença esteja relacionado à herança genética. Em casos mais graves, esse percentual pode ultrapassar 50% e chegar a até 80% entre mulheres com mais de 50 anos.

Quando falamos em doenças, é comum imaginar causas únicas e bem definidas. Mas a maioria das doenças crônicas não funciona assim. Poucas são determinadas por um único gene “defeituoso”.

O que a ciência tem mostrado é que pequenas variações no DNA – chamadas polimorfismos genéticos – ajudam a explicar por que algumas pessoas adoecem mais cedo, apresentam quadros mais graves ou respondem de forma diferente aos tratamentos.

Ao relacionar essas variações genéticas com dados clínicos e populacionais, os pesquisadores conseguem identificar padrões invisíveis a olho nu, revelando como genética, ambiente e estilo de vida se entrelaçam na origem de muitas doenças.

Esse tipo de investigação amplia nossa compreensão dos mecanismos biológicos do adoecimento e abre caminho para uma medicina personalizada.

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