Encontro entre Lula e Trump ocorre após petista elevar tom de críticas
Lula embarca para Washington nesta semana para se reunir com Donald Trump na Casa Branca. Visita é especulada há meses

O encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump será realizado logo após o petista voltar a endurecer o discurso contra o republicano. Nas últimas semanas, o líder brasileiro tem feito críticas constantes à ação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel no Oriente Médio.
A viagem de Lula para Washington, que começou a ser articulada no auge da “boa química” entre os dois líderes, foi adiada diversas vezes e calhou de ser realizada em um momento em que o brasileiro voltou a criticar publicamente o presidente dos Estados Unidos.
O momento, considerado pouco oportuno, eleva o temor sobre “armadilhas” da Casa Branca contra chefes de Estado – como já ocorreu com o ucraniano Volodymyr Zelensky e o sul-africano Cyril Ramaphosa.
Por outro lado, o cenário pode ser menos ameaçador, já que o petista se reúne com Trump longe dos olhos do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que cumpre agenda na Itália, nos próximos dias.
O secretário norte-americano tem raízes latinas e é apontado como um dos principais articuladores da política externa de Donald Trump, sobretudo no que diz respeito à América Latina. Rubio também tem direta atuação em recentes decisões americanas envolvendo o Brasil, como as sanções impostas a autoridades brasileiras.
Atraso na visita
A visita de Lula a Donald Trump é articulada desde que os dois se encontraram pela primeira vez, em setembro do ano passado. Na ocasião, eles tiveram um breve e amistoso encontro à margem da Assembleia Geral da ONU, que ocorre anualmente em Nova York, nos Estados Unidos.
Em janeiro, os dois líderes voltaram a se falar, desta vez em uma ligação, na qual acertaram uma visita do petista ao mandatário norte-americano. A viagem, inicialmente anunciada para março, acabou sendo adiada. O Palácio do Planalto e auxiliares de Lula justificavam o “atraso” em decorrência do foco do republicano no conflito contra o Irã.
A guerra no Oriente Médio, no entanto, não impediu que Donald Trump se reunisse com outros líderes internacionais na Casa Branca. Levantamento mostra que, desde o dia 28 de fevereiro, quando foi executada a ação militar no Irã, Trump recebeu ao menos quatro chefes de Estado em Washington.
E também foi a guerra no Oriente Médio a causar o novo estranhamento entre Lula e Trump. Além da postura oficial do Palácio Itamaraty, que condenou a atuação militar norte-americana no Irã, o presidente brasileiro passou a citar Trump nominalmente em algumas declarações.
Durante discursos na viagem pela Europa, Lula chegou a dizer que o mundo “não pode se curvar” a quem faz guerras.
O chefe do Planalto também ironizou o desejo do republicano em ganhar um Nobel da Paz. “É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel para o presidente Trump, para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai viver em paz tranquilamente“, disse Lula.
O encontro de Lula com o republicano está marcado para esta quinta-feira (7), e temas considerados sensíveis para o brasileiro devem ser discutidos – como o desejo dos EUA em classificar organizações criminosas do Brasil como terroristas; as tarifas impostas pelo país norte-americano a produtos brasileiros; e a guerra em curso no Oriente Médio.



