Curiosidades

72 dias nos Andes: a história que o mundo não esquece

Sobrevivente do Milagre dos Andes, Gustavo Zerbino está chegando a Brasília para contar como transformou a experiência em inspiração

Em 13 de outubro de 1972 começou uma das maiores e mais impressionantes histórias de sobrevivência já registradas na história da humanidade. O Voo 571 da Força Aérea do Uruguai levava a delegação de rúgbi do time Old Christians, do colégio Stella Maris, quando colidiu com a Cordilheira dos Andes. As semanas que se seguiram foram marcadas por perdas contínuas e situações limite.

Entre 45 passageiros e tripulantes, Gustavo Zerbino foi um dos 16 que saíram vivos. Hoje, aos 72 anos, ele percorre o mundo como palestrante, levando às plateias corporativas e abertas as lições que aprendeu naqueles 72 dias que o testaram como ser humano. Uma oportunidade única de ouvir, ao vivo, a voz de quem enfrentou o impossível e voltou para contar.

O avião decolou de Montevidéu na manhã do dia 12 de outubro, mas o mau tempo forçou um pouso técnico em Mendoza, na Argentina. Na manhã seguinte os pilotos decidiram prosseguir viagem. Durante a travessia da cordilheira, a aeronave começou a descida antes do tempo, quando ainda estava entre os picos nevados dos Andes.

A aeronave colidiu com a montanha, perdeu as asas e a cauda, e o que restou da fuselagem deslizou por um vale de neve a mais de 3.500 metros de altitude, no chamado Valle de las Lágrimas, na província de Mendoza, na Argentina.

Doze pessoas morreram no impacto imediato. Vinte e nove sobreviveram à queda – mas apenas para encarar um novo e devastador desafio: sobreviver no topo do mundo, sem alimento, sem comunicação com o exterior e sob temperaturas que chegavam a 40 graus negativos à noite.

No dia 23 de outubro, apenas dez dias após a queda, os sobreviventes conseguiram colocar para funcionar um rádio portátil e ouviram a notícia que os destruiu por dentro: as buscas haviam sido oficialmente suspensas. O mundo havia os dado como mortos.

Foi nesse momento que o grupo precisou decidir: desistir ou se tornar os próprios autores da salvação. Eles escolheram o segundo caminho.

No dia 29 de outubro, uma avalanche atingiu a fuselagem do avião onde os sobreviventes dormiam, matando mais oito pessoas em questão de segundos. O grupo, que já havia encolhido, ficou ainda menor.

Aqueles que restavam precisavam encontrar formas criativas de sobreviver: usavam capas de assentos como cobertores, fabricavam óculos improvisados com plástico da cabine para proteger os olhos do sol refletido na neve e criaram um sistema rudimentar para derreter neve e obter água.

Em 12 de dezembro, Fernando Parrado e Roberto Canessa partiram a pé em busca de ajuda, escalando os Andes com as forças que ainda tinham e atravessando a cordilheira por dez dias até encontrar o tropeiro Sergio Catalán, que acionou as autoridades chilenas.

No dia 23 de dezembro de 1972 — 72 dias após a queda — os helicópteros de resgate chegaram ao vale.

Com o tempo, a história que Zerbino havia vivido ganhou proporções cada vez maiores. Livros, documentários e filmes foram produzidos sobre a tragédia.

Em 2023, o cineasta espanhol Juan Antonio Bayona trouxe ao mundo “A Sociedade da Neve”, pela Netflix, uma produção aclamada internacionalmente, indicada ao Oscar, que reacendeu o interesse global pelo episódio e pelas pessoas que o viveram. Zerbino é um dos personagens centrais da história retratada.

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