“Eles Vão Te Matar” é mistura de Kill Bill e John Wick
Longa com Zazzie Beets vai dos clichês ao exagero sem deixar de divertir

Desde o início, Eles Vão Te Matar (They Will Kill You, 2026), é uma chuva de clichês que começa, literalmente, na chuva. É no meio dos pingos que encontramos as irmãs Asia (Zazie Beetz) e Maria (Myha’la) em frente à vitrine de uma loja que exibe uma “família Doriana”, feliz e seca. As duas estão fugindo de um pai abusivo. Nem tudo sai como planejado e as duas irmãs acabam se separando.
Corta para o presente, dez anos depois, e reencontramos Asia se apresentando para um novo emprego. Ela está se candidatando para fazer trabalhos domésticos no Edifício The Virgil, em Nova York. O prédio data do início do século 20 e todo mundo lá dentro é estranho – desde a governanta (Patricia Arquette), aos hóspedes e demais funcionários.

Mas a nossa protagonista está preparada. Na sua primeira noite no lugar, barulhos estranhos no quarto colocam Asia em alerta, até que seres mascarados e encapuzados invadem seu quarto e iniciam a missão já bem clara no título do longa: eles vão tentar matá-la! Se você não viu o trailer, vale continuar assim. Se viu, já conhece os motivos por trás de tudo isso.

O que se vê deste momento em diante é um estiloso desfile de mutilações e mortes que vai dos básicos tiros no meio da fuça até eliminações bem mais criativas. A força com que alguns corpos são atirados para trás é exagerada, assim como os esguichos de sangue que se vê na tela. Esta estilização deixa o que poderia ser só uma festa de gore em algo divertido de se ver. No público, risos são muito mais frequentes do que caras de nojo e mãos nas frentes do rosto.

Porém, a fórmula se repete – e se repete de novo – deixando a diversão um pouco cansativa, mesmo com cenários diferentes, que passam por quartos e corredores a vãos no meio da parede e poço do elevador. As armas também variam, até chegarmos a uma poderosa cena que envolve um machado em chamas.

A direção do russo Kirill Sokolov, que também assina o roteiro ao lado de Alex Litvak, gera boas imagens, como se pode ver nos trailers e clipes do filme. Porém, o excesso de exageros faz com que o produto final fique parecendo um filme de conclusão de curso de um estudante de cinema – tecnicamente competente, mas mais interessados em impressionar do que em criar algo novo. É fácil dizer que ele quis misturar Kill Bill com John Wick, por exemplo, ou fazer sua versão de Casamento Sangrento (Ready or Not, 2019).

E não me entenda mal. As referências são ótimas. E se juntam ainda a uma pitada de Blaxxploitation, afinal, estamos vendo uma mulher negra chutando todas as bundas que aparecem na sua frente. E que bom que Zazzie Beets segura a onda na pancadaria e parece ter se divertido muito no processo. Mas, também, como não se divertir quando se está sendo perseguida por… um olho. Literalmente.



