Com reflexos mundo afora, guerra no Oriente Médio completa um mês
Conflito entre EUA, Israel e Irã se arrasta, amplia tensões globais e expõe impasses diplomáticos após um mês de guerra

“Este regime logo aprenderá que ninguém deve desafiar a força e o poder das Forças Armadas dos Estados Unidos” – Com essa declaração, Donald Trump marcou o tom inicial da ofensiva contra o Irã. Um mês depois, o cenário é mais instável do que conclusivo: entre avanços militares, tentativas diplomáticas e recuos estratégicos, o conflito se consolida como um dos principais pontos de tensão da política internacional recente.
Na madrugada de 28 de fevereiro, após a ofensiva norte-americana, o Irã retaliou imediatamente com mísseis e drones, atingindo Israel e países do Golfo, incluindo Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Iraque.
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, mais de 1.oo0 pessoas morreram desde o início do conflito, e centenas de bases militares sofreram danos.
Vantagem estratégica
O Irã mantém uma vantagem estratégica significativa devido ao controle parcial do Estreito de Ormuz, por onde circula quase um quinto do petróleo global. Bloqueios ou ameaças à passagem elevaram os preços internacionais de petróleo, gás e derivados, afetando mercados da Ásia, Europa e América.
O prolongamento do conflito pode gerar escassez de produtos essenciais e aumentar a inflação global.
Além disso, empresas de transporte e logística enfrentam dificuldades para planejar rotas seguras, enquanto investidores globais reavaliam ativos ligados à energia e à segurança internacional.
Pressão interna
- Protestos contra o regime, iniciados no começo do ano, deixaram milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos.
- A recente morte de Ali Khamenei, sob os ataques do governo Trump e a ascensão de Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo, coloca o país em um período de transição delicado, testando a coesão política do regime.
- A população iraniana vive sob alta tensão, com racionamento de alimentos, temor de ataques aéreos e restrições de comunicação.
- Apesar de perdas significativas, dentro de seu alto escalão militar, o Irã adota estratégias semelhantes às de insurgências: mísseis móveis, ataques com drones, bases subterrâneas e mobilidade rápida.
Diplomacia em meio ao conflito
Ao passo que a situação escala, a diplomacia esbarra em entraves. A escalada da guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, tem se tornado cada vez mais desfavorável ao presidente Donald Trump, que acumula desgaste político diante do conflito.
Com a aprovação em queda, o republicano enfrenta uma combinação de crise energética, perdas militares e pressão interna, com potencial impacto nas eleições de meio de mandato.
Nos últimos dias, Trump sinalizou uma mudança de estratégia ao reforçar a via diplomática, indicando reconhecimento dos custos de uma guerra prolongada. Na terça-feira (23), o presidente afirmou que o Irã fez um “gesto de boa vontade” nas negociações, ligado ao setor de petróleo e ao Estreito de Ormuz. Teerã, porém, nega qualquer diálogo direto.
Os EUA enviaram ao Irã uma proposta de paz com 15 pontos, incluindo cessar-fogo temporário, restrições nucleares e controle sobre mísseis e rotas estratégicas.
Do lado iraniano, entretanto, o plano foi classificado como “inconsistente com a realidade”. A chancelaria apresentou contrapropostas que incluem o fim imediato dos ataques, garantias contra novas ofensivas e indenizações pelos danos causados.
Nesse meio tempo, o republicano indicou alguns recuos. Após dar um ultimato de 48 horas para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, sob ameaça de ataques a usinas, ele concedeu uma trégua a ataques a infraestruturas energéticas de cinco dias. Após 72 horas, estendeu novamente a janela diplomática por mais 10.
O novo prazo chegou a ser contestado pela chancelaria iraniana após Israel lançar um ataque coordenado com os Estados Unidos contra uma usina de urânio e um reator de água pesada no centro do Irã.



