Saldo negativo geral da guerra no Oriente Médio preocupa Donald Trump
Guerra no Oriente Médio pressiona popularidade, eleva preço do petróleo e amplia custos militares e políticos para Donald Trump Manuela de Moura

A escalada da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel não caminha para um cenário favorável ao presidente Donald Trump, que enfrenta um saldo cada vez mais negativo associado ao conflito.
Com a aprovação em queda, o republicano lida com uma combinação de crise energética, perdas militares e desgaste político que ameaça influenciar as eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Ainda que mantenha um discurso por vezes contraditório, Trump tem sinalizado uma inflexão estratégica ao apostar em uma via mais diplomática com o Irã. O movimento sugere que a Casa Branca passou a reconhecer os custos crescentes de uma escalada militar prolongada, tanto no campo de batalha quanto fora.
Nessa terça-feira (24), o presidente afirmou que o Irã teria feito um “gesto de boa vontade” nas negociações, descrito por ele como um “presente” de grande valor ligado ao setor de petróleo e gás.
“Eles nos deram um presente, e o presente chegou hoje. Foi um prêmio muito significativo”, disse Trump a repórteres no Salão Oval.
Sem detalhar o conteúdo, Trump associou a iniciativa ao fluxo energético global e ao controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Segundo ele, o gesto indicaria disposição de interlocutores iranianos para avançar no compromisso. A avaliação contrasta com a negativa de Teerã sobre a existência de negociações.
Na noite de terça-feira, conforme revelou o The New York Times, o governo do republicano enviou ao Irã, com mediação do Paquistão, uma proposta de paz com 15 pontos.
O plano prevê diversas medidas, como a adoção de um cessar-fogo de 30 dias para viabilizar negociações, o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares, a limitação do alcance e da quantidade de mísseis balísticos, a desativação de instalações nucleares estratégicas, o fim do apoio a grupos aliados na região e a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.



