Crosta se ‘rasga’ no Pacífico, e cientistas estudam falha que pode ‘desligar’ placas tectônicas
Fenômeno no fundo do mar revela como uma placa tectônica pode estar “se partindo” lentamente ao longo do tempo

Cientistas identificaram um fenômeno raro no fundo do Oceano Pacífico. Uma placa tectônica está passando por um processo de “rasgo” em uma zona de subducção (regiões onde uma placa mergulha sob a outra). O estudo mostra que isso ocorre próximo à costa do Canadá, na região de Cascádia, e pode representar uma etapa importante na transformação dos limites entre placas tectônicas.
De acordo com a pesquisa publicada na revista Science Advances, esse “rasgo” não acontece de forma repentina. Na prática, trata-se de uma fragmentação progressiva da placa que está sendo empurrada para o interior da Terra, com separações que ocorrem ao longo de milhões de anos.
Os cientistas observaram que, à medida que a placa se rompe, partes dela passam a se comportar de forma independente, formando blocos menores: as chamadas microplacas. Esse processo ajuda a explicar como algumas zonas de subducção deixam de existir ao longo do tempo geológico.
Falha de Nootka
No centro desse fenômeno está a chamada falha de Nootka, uma zona de fratura submarina que marca o limite entre diferentes placas tectônicas. Essa estrutura funciona como uma espécie de “linha de fraqueza”, facilitando o rompimento da placa que está sendo submergida.
A análise foi feita com base em dados sísmicos de alta resolução, que permitiram aos pesquisadores mapear o interior da placa em profundidade. Os resultados indicam que o “rasgo” não ocorre de maneira uniforme, mas em segmentos, com diferentes estágios de fragmentação ao longo da região.
Esse comportamento sugere que a zona de subducção da Cascádia pode estar passando por um processo de enfraquecimento. Com o tempo, isso pode levar ao fim gradual da subducção naquele trecho, o que, na prática, significa uma reconfiguração das placas tectônicas na região.
Apesar disso, os pesquisadores destacam que se trata de um processo extremamente lento e que não representa uma mudança imediata na superfície. Ainda assim, entender como essas estruturas evoluem é fundamental para compreender a dinâmica do planeta e os padrões de atividade sísmica a longo prazo.



