Guerra leva países do Golfo a questionar aliança com os EUA
Retaliações de Teerã em bases americanas nos países do Golfo Pérsico levanta dúvidas sobre a segurança gerada, ou não, por abrigar essas instalações militares

As declarações feitas após uma reunião de emergência dos ministros das relações exteriores dos países árabes e islâmicos, realizada nesta quinta-feira (19) em Riad, na Arábia Saudita, tiveram um único tema: o Irã.
No dia anterior, em uma grave escalada da guerra que teve início no final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o país persa, uma ofensiva iraniana atingiu um importante centro de produção de energia no Catar. O fato ocorreu após um ataque israelense contra o campo de gás de South Pars, no Irã.
A paciência da Arábia Saudita está se esgotando, afirmou o ministro do Exterior do país, o príncipe Faisal bin Farhan, em uma coletiva de imprensa após a reunião. O reino saudita prefere uma solução diplomática e deixou claro que não permitirá que o país seja usado para lançar ataques contra o Irã, acrescentou Farhan. Mas a Arábia Saudita também pode utilizar todos os meios para fazer com que o Irã pare de atacar países vizinhos que não estão diretamente envolvidos no conflito, declarou.
Os sinais são claros: os países do Golfo Pérsico estão cada vez mais perto de serem arrastados para uma guerra da qual nunca quiseram fazer parte.

Não é nossa guerra, dizem países do Golfo
Embora o Irã seja o país que os está atacando, há também, no Golfo, uma crescente desilusão com os Estados Unidos. Observadores afirmam que a ideia de que o Washington defenderia os Estados do Golfo por terem importantes bases militares na região revelou-se ilusória, ou pelo menos não tão eficaz quanto se esperava. Muitos dos mísseis e drones iranianos que tinham como alvo o Golfo Pérsico não foram interceptados pelas forças armadas da região nem pelos EUA.
O Irã justificou os ataques aos países do Golfo alegando que eles abrigam essas bases americanas – embora mísseis iranianos também tenham atingido infraestrutura petrolífera e instalações civis, como aeroportos e hotéis.
“Essa guerra é de Netanyahu”, afirmou o príncipe Turki al-Faisal, ex-chefe dos serviços de inteligência da Arábia Saudita, em entrevista à CNN no início de março, referindo-se ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “De alguma forma, ele convenceu o presidente [Donald Trump] a bancar suas intenções”
Aparentemente, os EUA também ignoraram os alertas dos países do Golfo ao decidirem prosseguir com a guerra, informaram fontes anônimas da região à agência de notícias Associated Press, em março.
Foi assim que os países do Golfo aprenderam uma lição amarga: que essas bases americanas não garantem necessariamente dissuasão ou proteção. Pelo contrário: na verdade, elas transformam o país que as abriga também em um alvo.



