Autor de CPI do Master defende impeachment de Moraes e Toffoli: ‘Relações promíscuas’
Eduardo Girão afirmou que conduta de ministros dá 'indícios de corrupção' e cobrou Davi Alcolumbre por não pautar processos no Senado

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) defendeu que os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sofram impeachment do STF (Supremo Tribunal Federal) pela suspeitas de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master preso pela Polícia Federal.
“A maior fraude do sistema financeiro [revelou] relações promíscuas e injustificáveis sem contraprestação aceitável. O contrato de R$ 129 milhões da esposa de Moraes, justificado de forma completamente esdrúxula – várias pessoas me relataram que um contrato dessa monta não existe nem em negociações bilionárias de fusão de bancos –, a troca de mensagens que o ministro negou, mas a imprensa brasileira mostrou que foi periciada pela Polícia Federal. É muito difícil não achar que ali houve corrupção, indícios de corrupção“, disse Girão

No início da semana, o senador apresentou, ao lado de colegas de partido, um novo pedido de impeachment de Moraes com base no contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, e o Master, e na suposta troca de mensagens com Vorcaro horas antes de sua primeira prisão.
Moraes negou a existência do diálogo e o STF disse que uma análise técnica dos dados teleméticos do celular do banqueiro não identificou mensagens associadas ao contato do ministro, ao passo em que o jornal e outros veículos afirmaram que o material foi extraído e periciado por policiais federais na investigação.
O contrato, por sua vez, foi admitido pelo escritório Barci de Moraes, que trabalhava a troco de R$ 3,5 milhões mensais – totalizando R$ 129 milhões em três anos – e relatou ter elaborado 36 pareceres para o Master até sua liquidação pelo Banco Central, mas negou ter conduzido causas para o Master no Supremo.
Apesar deste ser o 47º pedido de afastamento de Moraes protocolado no Senado desde 2021, Girão disse haver um “ambiente diferente” após o escândalo do Master, porque a frente de críticas ao magistrado, antes restrita à direita, “furou a bolha”.

Mesmo que reúna as 41 assinaturas exigidas de senadores, o processo depende do aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para ser pautado, o que não ocorreu durante seu mandato.”Esta inércia do Alcolumbre, como foi do Pacheco [antecessor de Alcolumbre no cargo] é um deboche não só com o Parlamento, mas com o Brasil”, afirmou o senador.



