Enviado de Trump cria novo ponto de tensão entre EUA e Brasil
Viagem de assessor de Trump para se encontrar com Bolsonaro levantou suspeitas do governo do Brasil, que impediu a entrada dele no país

Os planos de Darren Beattie, que atua como assessor especial de Donald Trump para assuntos relacionados ao Brasil, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão criaram um novo ponto de tensão na relação entre Washington e Brasília, após momentos de certa calmaria nos últimos meses.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a previsão inicial era de que o diplomata realizasse uma visita ao país na próxima semana, entre os dias 16 e 17, com o objetivo de promover os interesses norte-americanos.
O enviado de Trump é crítico aberto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e já chegou a acusar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de liderar um complô de censura e perseguição contra Bolsonaro.
Além da participação em um evento em São Paulo sobre minerais críticos e terras raras, a agenda de Beattie ao Brasil também poderia incluir um encontro com Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Papudinha.
Relações entre EUA e Brasil
- Em 2025, as relações entre EUA e Brasil foram abaladas após Donald Trump anunciar tarifas contra exportações brasileiras, que chegaram a atingir a alíquota de 50%.
- Além disso, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro também virou motivo de tensão entre Washington e Brasília. Isso porque Trump afirmou, em carta enviada ao presidente brasileiro, que as tarifas tinham ligações com o processo judicial que culminou na condenação do ex-capitão do Exército.
- O ministro Alexandre de Moraes também foi um dos pivôs da crise. Acusado de perseguição política e instrumentalização do judiciário, o magistrado foi sancionado com base na Lei Magnitsky.
- Meses depois, diversos ministros do STF perderam seus vistos de entrada nos EUA. Por conta de ligações com o programa Mais Médicos, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também foi proibido de entrar no território norte-americano.
- A tensão, porém, diminuiu após Lula e Trump se encontrarem na Assembleia Geral da ONU e, posteriormente, em evento na Malásia.
- Depois de conversas entre os dois líderes, os dois governos passaram a realizar negociações que resultaram na flexibilização de tarifas contra produtos brasileiros. Além disso, Moraes também deixou de ser sancionado pela Lei Magnitsky.
Decisões de Alexandre de Moraes
Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes acatou o pedido da defesa do ex-presidente e autorizou a visita do assessor de Trump a Bolsonaro.
Apesar do sinal verde do STF, responsável por analisar pedidos de visita ao ex-presidente, advogados de Bolsonaro pediram que Moraes reconsiderasse a data estipulada para o encontro. Isso, porque, segundo a defesa, Beattie não teria agenda disponível no dia 18 e só poderia ir à Papudinha em 16 ou 17 de março.
A solicitação, contudo, levantou suspeitas de Moraes sobre o real objetivo da viagem do enviado de Trump ao Brasil. Por isso, o ministro cobrou informações do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a cerca da agenda diplomática de Beattie no país, que pudessem justificar uma reconsideração de datas.



