México conseguirá conter o caos desencadeado pelo assassinato de ‘El Mencho’ antes da Copa?
Analistas alertam para a possibilidade de uma guerra de sucessão entre os líderes do cartel

O caos desencadeado pelo assassinato do senhor das drogas mexicano Nemesio “El Mencho” Oseguera despertou temores de que o país possa enfrentar uma nova onda de violência no momento em que entra em seus preparativos finais para sediar o maior evento esportivo do mundo.
O México espera receber mais de 5 milhões de visitantes para a Copa do Mundo da Fifa, que está co-sediando com os EUA e o Canadá, e será o centro das atenções globais quando a partida de abertura começar no Estádio Banorte, na Cidade do México, em 11 de junho.
Mas o assassinato de Oseguera, que liderava o Cartel de Jalisco Nova Geração, colocou o México – e o estado de Jalisco em particular – nas manchetes pelos motivos errados.
Sua morte no domingo (22) nas mãos das forças militares mexicanas desencadeou dias de violência, grande parte centrada em Jalisco, enquanto membros de gangues de um dos grupos criminosos mais poderosos do país entraram em confronto com as forças de segurança, queimando ônibus e estabelecimentos comerciais.
Tão extrema foi a situação que o Departamento de Estado dos EUA emitiu alertas para que os viajantes permanecessem abrigados.
Embora essa explosão inicial de violência tenha diminuído – a presidente Claudia Sheinbaum insistiu na terça-feira (24) que não havia “nenhum risco” para os torcedores, enquanto o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse ter “confiança total” de que tudo “resultaria no melhor”– nem todos estão convencidos.
Alguns analistas temem que uma guerra de sucessão entre os comandantes do cartel de Jalisco seja agora provável – uma possibilidade reconhecida pelas autoridades mexicanas, com o secretário de Segurança Omar García Harfuch dizendo -que sua equipe estaria “muito atenta” a “qualquer tipo de reação ou reestruturação dentro do cartel” e que havia um “monitoramento particular de vários líderes”.
O analista de segurança David Saucedo disse à CNN Internacional que tal cenário era altamente provável – e alertou que, mesmo que as facções do cartel conseguissem chegar a um acordo, isso ainda poderia não excluir a possibilidade de mais violência.
Se a liderança sobrevivente do cartel interpretasse a operação contra “El Mencho” como uma ameaça existencial às suas operações, o grupo poderia sentir que não tinha outra opção a não ser aumentar a aposta.
“(O cartel) pode assumir uma postura de guerra total contra o Estado mexicano”, disse Saucedo.

Epicentro da violência
O México sediará 13 das 104 partidas da Copa do Mundo, mas seu primeiro teste virá meses antes do início oficial, quando sediará partidas de repescagem e jogos de aquecimento no próximo mês.
O Estádio Akron em Guadalajara – a capital de Jalisco – sediará as repescagens entre Congo, Jamaica e Nova Caledônia de 26 a 31 de março, enquanto o Estádio Banorte, na Cidade do México, sediará um amistoso entre México e Portugal em 28 de março.
Embora a Federação Portuguesa de Futebol tenha indicado que a partida na Cidade do México prosseguirá conforme o planejado – dependendo de sua avaliação contínua -, mais preocupantes para alguns analistas são os jogos que ocorrerão em Jalisco, o epicentro da recente violência.
Além das repescagens, quatro partidas da Copa do Mundo estão programadas para acontecer na capital de Jalisco, Guadalajara – envolvendo a seleção nacional, Coreia do Sul, Colômbia, Uruguai, Espanha e outras duas que serão determinadas pelas repescagens.
Espera-se que quase 3 milhões de turistas visitem Jalisco, que faz fronteira com o Oceano Pacífico e é famosa pela tequila e pela música mariachi, durante o torneio.
Após o adiamento de algumas partidas da liga mexicana após a morte de El Mencho, o governador de Jalisco, Pablo Lemus, insistiu que os jogos da Copa do Mundo prosseguiriam conforme o planejado.



