Venezuela: presos políticos fazem greve de fome contra lei da anistia
Mais de 200 presos políticos iniciaram uma greve de fome na Venezuela. 80 pessoas foram libertadas, após a entrada da nova lei em vigor

Mais de 200 presos políticos iniciaram uma greve de fome na Venezuela nesse domingo (22). No sábado (21), 80 pessoas foram libertadas, após a entrada em vigor de uma ampla lei de anistia.
“Cerca de 214 pessoas no total, incluindo venezuelanos e estrangeiros, estão em greve de fome”, explicou Yalitza García, madrasta de Nahuel Agustín Gallo, policial argentino preso na Venezuela sob acusação de terrorismo.
O movimento começou na prisão Rodeo I, nos arredores de Caracas. Familiares explicam que os presos protestam contra o alcance da lei de anistia, que não beneficia muitos dos detentos dessa unidade.
O sistema judiciário venezuelano concedeu liberdade a 379 presos políticos após a aprovação da lei. Oitenta deles foram libertados no sábado.
O texto, aprovado e promulgado na quinta-feira, concedeu a anistia prometida – sob pressão dos Estados Unidos – pela presidente interina Delcy Rodríguez. A nova chefe de Estado venezuelana iniciou a normalização das relações com Washington, rompidas desde 2019, após assumir o poder na sequência da prisão do presidente Nicolás Maduro durante uma operação militar dos EUA em 3 de janeiro.
Além das libertações já anunciadas, a Assembleia Nacional criou uma comissão especial encarregada de revisar os casos de presos políticos excluídos da anistia. Um total de 1.557 detidos solicitou libertação com base na lei, segundo Rodríguez em coletiva de imprensa.
No entanto, diversos especialistas questionam o alcance da medida: centenas de presos, como policiais e militares envolvidos em atividades consideradas “terroristas”, podem ser excluídos.
Além disso, o texto não abrange integralmente o período de 1999 a 2026, referente às presidências de Hugo Chávez (1999–2013) e de seu sucessor, Nicolás Maduro.



