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Impaciência de Zelensky com Putin dificulta negociações de paz

Declarações mais duras de Volodymyr Zelensky elevam pressão diplomática enquanto nova rodada de negociações termina sem acordo territorial

A guerra da Ucrânia está prestes a completar quatro anos, enquanto entra em uma fase de elevada tensão diplomática, marcada por negociações intensas e declarações duras de Volodymyr Zelensky. Na última semana, o líder passou a adotar um tom mais direto contra Moscou, rejeitando argumentos históricos do Kremlin e defendendo que as tratativas se concentrem exclusivamente no encerramento do conflito.

A mudança de postura ocorre após mais uma rodada de negociações entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos terminar sem avanços decisivos, sobretudo sobre a questão territorial, considerado o principal entrave para um cessar-fogo duradouro.

Um Zelensky impaciente

Deixando transparecer sua irritação com a retórica histórica defendida pelo lado russo, Zelensky afirmou que não pretende perder tempo debatendo narrativas sobre as origens do conflito, indicando incômodo com a insistência russa em usar argumentos históricos como eixo das negociações.

“Eu li tantos livros de história quanto Putin. E aprendi muito”, disse ao rebater as justificativas frequentemente citadas por Moscou.

Na mesma declaração, ele acrescentou que prefere concentrar as discussões em soluções concretas para encerrar a guerra, e não em interpretações históricas que, segundo ele, servem como instrumento de atraso nas tratativas diplomáticas.

“Eu não preciso de merdas históricas para acabar com esta guerra e partir para a diplomacia. Isso é apenas uma tática para ganhar tempo”, declarou.

Em outra fala, o presidente reforçou que aceita compromissos, mas não ultimatos. “Estamos prontos para compromissos reais. Mas não para compromissos que custem nossa independência e soberania”.

Zelensky também criticou diretamente a lógica das exigências russas nas negociações. “Eles tomaram quase 20% do nosso território. E estamos prontos para falar de paz neste momento com base em ‘fiquem onde estão’. Este já é um grande compromisso”

Zelensky: “Putin é escravo da guerra”

Em outra ocasião, o presidente chegou a afirmar que Putin seria escravo da guerra. Segundo Zelensky, a avaliação reflete a percepção, dentro da Ucrânia, de que Moscou não pretende encerrar o ciclo de confrontos nem garantir estabilidade duradoura na região.

“Ninguém na Ucrânia acredita que ele vá deixar nosso povo em paz, e tampouco deixará tranquilas outras nações europeias, porque não consegue abrir mão da ideia da guerra. Ele pode se ver como um czar, mas, na realidade, é um escravo da guerra”, declarou, ao sustentar que o presidente russo não leva “uma vida normal” em meio à lógica permanente do conflito.

Para Leo Braga, professor do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, o endurecimento retórico não indica ruptura diplomática, mas sim uma estratégia de pressão calculada.

“Sem dúvida, trata-se de estratégia diplomática. Ao combater o argumento histórico acerca da soberania ucraniana e insistir na defesa territorial, Zelensky desloca a conversa para tons mais pragmáticos junto a Putin”, explica.

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