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FGC pode ser forçado a captar recursos se crise de bancos ganhar dimensão maior

Pagamentos bilionários reacendem debate sobre a capacidade financeira do Fundo Garantidor de Crédito

Se a crise bancária se aprofundar além do previsto, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pode enfrentar pressão sobre seu caixa, ser obrigado a captar recursos adicionais junto aos bancos e, no limite, sofrer abalos de credibilidade – embora especialistas considerem baixa a probabilidade de um colapso desordenado. A avaliação ocorre em meio ao desembolso estimado de R$ 58 bilhões para cobrir investidores afetados pela crise do Banco Master e de instituições financeiras ligadas ao grupo.

O economista Hugo Garbe disse que um evento de grande magnitude pode gerar obrigações superiores ao caixa disponível no curto prazo.

“Nesse sentido, o FGC pode enfrentar insuficiência de liquidez ou até mesmo insolvência técnica, caso a soma das garantias acionadas supere seu patrimônio e sua capacidade imediata de captação”, afirmou.

Para o economista, contudo, o principal risco não é a “quebra” do FGC como entidade privada isolada, mas a perda de credibilidade do mecanismo de garantia.

“O valor econômico do fundo não reside apenas em seu patrimônio acumulado, mas na confiança que ele sustenta. Caso o mercado passe a acreditar que o FGC não consegue honrar tempestivamente suas obrigações, o efeito mais provável é o aumento do prêmio de risco sobre bancos médios e pequenos, retração de captações, encarecimento do crédito e potencial corrida bancária seletiva. O problema deixa de ser micro e passa a ser sistêmico”, analisou.

Na avaliação do especialista, embora um evento de grande porte possa pressionar o fundo do ponto de vista financeiro, a probabilidade de um colapso desordenado é baixa.

“Os custos macroeconômicos de permitir a falência do mecanismo de garantia superam em muito o custo de sua estabilização. A questão central não é se o fundo pode ‘quebrar’ em termos contábeis, mas se o sistema permitiria que a âncora de confiança do mercado bancário se rompesse. Historicamente, a resposta tende a ser negativa”, concluiu.

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