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Gaza inicia Ramadã sob cessar-fogo frágil e incertezas

Famílias palestinas enfrentam escassez e dependência de ajuda humanitária no mês sagrado, com medos de nova escalada de violência

Em Gaza, famílias palestinas iniciaram nessa terça-feira (17) o Ramadã, período de jejum consagrado no calendário islâmico, em meio a um cessar-fogo instável iniciado em 10 de outubro do ano passado. Apesar da trégua, o estado de espírito é marcado por incertezas quanto ao futuro, sem que a normalidade tenha sido restaurada nos abrigos para refugiados.

No campo de refugiados de Bureij, Maisoon al-Barbarawi, que perdeu sua casa no sudeste de Gaza no início da guerra e agora é mãe de dois filhos abrigados ali, descreve este como o terceiro Ramadã passado deslocada.

“Perdemos as nossas casas e as nossas famílias. Aqui no campo temos vizinhos e amigos que partilham a mesma dor e sofrimento, e todos queremos apoiar-nos”, afirmou ela, enquanto ajuda na preparação de pão e tâmaras para distribuição entre os palestinos.

Os residentes continuam dependentes de ajuda humanitária de organizações como o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (Ocha).

Relatórios desses órgãos indicam uma melhora na disponibilidade de certos alimentos, mas os altos preços e o enfraquecimento do poder de compra persistem. Hanan al-Attar, outra refugiada, relatou ter recebido ajuda que aliviou preocupações com a refeição para quebrar o jejum.

“Guardei uma pequena quantia para comprar um quilo de carne. O jejum requer proteína, mas não há eletricidade, não há infraestrutura, não há frigoríficos para armazenar”, confessou ela à Al Jazeera no primeiro dia do Ramadã.

As famílias se esforçam para manter a esperança em meio à escassez e a uma paz frágil. Hanan al-Attar admitiu cozinhar em fogo aberto há dois anos, com o vento apagando a chama, e ter guardado um cilindro de gás de oito quilos como um tesouro para o período.

“Infelizmente, o Ramadã não mudou a nossa realidade”, disse Maisoon, que preparou decorações modestas na tenda para que as crianças se sintam felizes e saiam da atmosfera de luto.

Habituados a rezar pela morte em busca de comida, os palestinos preparam o jejum com alegria vinda do nada, mas o medo de bombardeios iminentes é compartilhado. “A situação não está completamente calma, a guerra não parou de verdade”, garantem em Bureij.

Eles recordam o Ramadã do ano passado, marcado pela escalada de ataques israelitas, que levou ao encerramento de passagens fronteiriças e à proibição de entrada de ajuda alimentar, resultando em uma crise de fome humanitária de março a setembro de 2025.

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