Política Nacional

O que diz a perícia da PF sobre a saúde de Bolsonaro; confira ponto a ponto

Laudo médico detalha doenças crônicas, descarta internação hospitalar e aponta necessidade de cuidados diários

A Polícia Federal concluiu nesta semana, em laudo médico encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), a avaliação do estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Papudinha, em Brasília.

O documento analisou diagnósticos, riscos clínicos e as condições necessárias para o cumprimento da pena em ambiente prisional.

Veja os principais pontos

– Avaliação geral

Os peritos apontaram estabilidade clínica. As doenças crônicas do ex-presidente estão sob controle com medicamentos e acompanhamento médico.

O quadro atual não exige internação hospitalar nem transferência para hospital penitenciário, na avaliação da Polícia Federal.

– Doenças confirmadas

A perícia confirmou a existência de:

  • Hipertensão arterial, controlada com remédios, com registros de tontura ao se levantar;
  • Apneia obstrutiva do sono em grau grave, com uso de aparelho CPAP (aparelho para apneia);
  • Obesidade clínica;
  • Aterosclerose, com placas nas artérias carótidas;
  • Doença do refluxo gastroesofágico, com inflamação no esôfago;
  • Sequelas de múltiplas cirurgias abdominais, com risco de dor e obstrução intestinal;
  • Histórico de lesões de pele tratadas cirurgicamente.

– Condições descartadas

Os peritos não encontraram elementos suficientes para confirmar:

  • Pneumonia bacteriana recorrente;
  • Anemia;
  • Perda severa de massa muscular;
  • Depressão.

– Risco de morte

O laudo da Polícia Federal confirma a existência de risco de morte para Bolsonaro, mas ressalta que esse risco está condicionado à ausência de tratamento e monitoramento adequados.

Os peritos da PF responderam afirmativamente a perguntas específicas formuladas pela defesa que abordavam o risco de morte em cenários de falta de assistência.

O laudo confirmou que a ausência de medidas como monitoramento clínico diário, controle de pressão arterial e administração regular de fármacos “pode resultar em descompensação clínica súbita com risco concreto de morte”.

Além disso, o documento constatou que a interrupção ou irregularidade no uso do CPAP em um paciente com o quadro de Bolsonaro “eleva significativamente o risco de morte súbita, AVC e deterioração cognitiva”.

Também foi confirmado que a não observância de medidas médicas específicas pode acarretar complicações graves, incluindo “morte súbita”.

Apesar de confirmarem esses riscos potenciais, os peritos concluíram que, no momento, as doenças crônicas de Bolsonaro “encontram-se sob controle clínico medicamentoso e/ou não medicamentoso”.

– Risco neurológico

O laudo apontou sinais de desequilíbrio na marcha e instabilidade em testes físicos. Esse quadro aumenta o risco de quedas, especialmente diante do uso de vários medicamentos ao mesmo tempo.

Os médicos recomendaram investigação neurológica complementar para identificar a causa do problema.

– Necessidades médicas diárias

A Polícia Federal indicou a necessidade de:

  • Monitoramento clínico diário;
  • Controle rigoroso da pressão arterial;
  • Hidratação adequada;
  • Administração regular de medicamentos;
  • Acesso rápido a exames laboratoriais e de imagem;
  • Atendimento médico imediato em caso de intercorrência.

– Avaliação do local de custódia

Bolsonaro está em uma Sala de Estado Maior com estrutura privativa, banheiro, área externa e apoio médico permanente. Apesar da ausência de ambulatório próprio no batalhão, há médico de plantão e suporte avançado de saúde.

A perícia sugeriu adaptações no espaço, como instalação de barras de apoio e sistemas de emergência, para reduzir o risco de acidentes.

Próximos passos

Com a divulgação do laudo, o STF abriu prazo de cinco dias para que a defesa e a PGR se manifestem. Os advogados de Bolsonaro informaram que um médico pessoal do ex-presidente deve apresentar um laudo complementar.

Após esse período, o ministro Alexandre de Moraes deve decidir se mantém as atuais condições de custódia ou se haverá mudança no regime, incluindo eventual prisão domiciliar.

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