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Previdência do Amapá teve prejuízo de R$ 25 milhões com ações da Ambipar

Conselheiros ignoraram alerta, elogiaram gestora e enalteceram empresa, que estava sob investigação da CVM | OUTRO LADO: Procurados, Jocildo Lemos, Jackson Rubens e José Milton Gonçalves não responderam; Amprev também não se manifestou

O Instituto de Previdência dos Servidores do Amapá (Amprev) teve um prejuízo de R$ 25 milhões ao colocar dinheiro num fundo de investimentos administrado pelo Master que aplicava quase toda a sua carteira em ações da Ambipar.

O aporte foi realizado em setembro do ano passado, por deliberação do Comitê de Investimento da Amprev, formando por cinco integrantes. Os conselheiros Jocildo Lemos, José Milton Gonçalves e Jackson Rubens, que foram alvo da operação da Polícia Federal contra a entidade nesta sexta-feira (6), endossaram a aplicação.

Jocildo Lemos, presidente da Amprev

Segundo documentos da Amprev junto ao Ministério da Previdência, o instituto investiu R$ 30 milhões no fundo Texas no dia 12 de setembro, dez dias antes das ações da Ambipar começarem a derreter rapidamente.

As ações da Ambipar sofreram um forte deságio em razão de uma grave crise financeira, que levou a empresa a interromper pagamentos a credores e fornecedores. Um mês depois, em 20 de outubro, a empresa entraria em recuperação judicial.

Em 30 novembro, dois meses após a decisão, o investimento do Amprev já valia 83% menos: estava cotado em R$ 4,2 milhões. A recuperação do dinheiro é improvável, pois depende de uma revalorização das ações da Ambipar, que ainda está sob recuperação judicial – ou seja, sua dívida está em renegociação a fim de evitar uma falência.

As ações da companhia, que em setembro de 2025 chegaram a valer R$ 14,20 hoje valem R$ 0,27.

O Comitê de Investimento decidiu pelo aporte no dia 22 de agosto de 2025, segundo ata disponível no site do instituto. Os conselheiros Jackson Rubens e Gláucio Bezerra realizaram uma visita à gestora do fundo, a BlueMac, e elogiaram a empresa por sua “estrutura operacional robusta, com instalações modernas na Avenida Faria Lima, em São Paulo”.

A ata registra que o conselheiro Alexandre Monteiro lembrou aos colegas que havia suspeita de um movimento especulativo para inflar artificialmente o valor das ações da Ambipar, mas o comitê encaminhou o aporte mesmo assim.

“Em qualquer janela de avaliação do mercado a Ambipar está bem e com descontos relevantes frente a outras empresas internacionais semelhantes”, defendeu o conselheiro Gláucio Bezerra, propondo uma aplicação ainda maior, de R$ 50 milhões.

Em junho de 2025, a Folha noticiou relatório da área técnica da CVM que via “troca de favores” entre o investidor Nelson Tanure, o empresário Tércio Borlenghi Junior e o banco Master para elevar o preço das ações da Ambipar.

Jocildo Lemos, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), José Milton Gonçalves e Jackson Rubens foram procurados pela reportagem, mas não responderam. O banco Master, que administrava o Texas, foi questionado sobre o desempenho do fundo, mas também não retornou.

Jocildo Lemos e Davi Alcolumbre

A Previdência do Amapá foi procurada por email, mas ainda não enviou posicionamento.

Notícias sobre Master são ‘conversa’, disse presidente da Amprev

A Amprev aprovou a primeira aplicação em letras financeiras do Banco Master em julho de 2024, no valor de R$ 200 milhões.

Sete dias depois, um novo aporte de R$ 100 milhões foi posto em discussão. Um dos conselheiros alertou os colegas sobre a notícia de que o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal estavam investigando gestores do Caixa Asset pela tentativa de aplicar R$ 500 milhões em letras do Master.

O presidente do instituto minimizou o problema: “O coordenador Jocildo Lemos falou que no mercado sempre há histórias […] sempre tem notícias envolvendo bancos, mas vê essas notícias como conversas pois não há nada concreto com procedimento”, registra a ata do encontro.

O investimento total da Amprev em letras do Master chegou a R$ 400 milhões. Após a liquidação do banco, o instituto afirmou acompanhar o caso junto às autoridades reguladoras e afirmou que as aplicações realizadas no Banco Master seguiram integralmente normas do Sistema Financeiro Nacional e a Política de Investimentos do RPPS (Regime Próprio da Previdência Social).

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