
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o uso da semaglutida para a redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC, em pacientes específicos.
A decisão amplia as indicações de um princípio ativo já conhecido do público por estar presente em medicamentos usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, como Ozempic e Wegovy. A substância atua simulando um hormônio natural do organismo, o GLP-1, envolvido no controle do apetite e da glicemia.
De acordo com os estudos analisados pela agência, o benefício cardiovascular foi observado mesmo quando a perda de peso não foi o principal fator associado aos resultados, o que chamou a atenção dos pesquisadores.
Indicação aprovada pela Anvisa
Com a nova decisão, o Wegovy passa a ser indicado para a diminuição do risco de eventos cardiovasculares em adultos com doença cardiovasc1ular estabelecida e que apresentem obesidade ou sobrepeso.
Segundo a Anvisa, os estudos mostraram que, quando associado a uma dieta hipocalórica e ao aumento da atividade física, o uso da semaglutida reduziu de forma significativa a ocorrência de infarto e AVC nesse grupo de pacientes.
A agência também destacou o impacto desses eventos no país. De acordo com dados citados no parecer, estima-se que cerca de 400 mil brasileiros morram todos os anos em decorrência de infarto ou acidente vascular cerebral.
O que mostram os estudos cardiovasculares
A nova indicação se apoia principalmente nos resultados do estudo SELECT, o maior ensaio clínico já realizado para avaliar os benefícios cardiovasculares da semaglutida. A análise mais recente foi publicada em 2025 na revista científica The Lancet.
O estudo incluiu mais de 17 mil adultos com doença cardiovascular e índice de massa corporal igual ou superior a 27. Os participantes foram divididos entre grupos que utilizaram semaglutida e placebo.
Uma das conclusões foi que a redução do risco cardiovascular ocorreu de forma independente da quantidade de peso perdida. Publicações anteriores do mesmo estudo já haviam apontado uma diminuição de até 20% nos eventos cardiovasculares em pacientes com obesidade e doença cardiovascular, mesmo sem diabetes.
Peso, circunferência abdominal e risco cardíaco
Apesar de a perda de peso não explicar sozinha os resultados, a análise mostrou que a redução da circunferência abdominal esteve associada a melhores desfechos cardiovasculares.
De acordo com os dados, houve uma redução média de 4% no risco cardiovascular a cada 5 quilos perdidos e 5 centímetros a menos de circunferência da cintura. Ainda assim, entre pessoas que emagreceram, a incidência de eventos foi semelhante, independentemente de a perda ter sido superior ou inferior a 5% do peso corporal.
Para Mette Thomsen, vice-presidente sênior da área médica global da Novo Nordisk, esses achados indicam que outros mecanismos podem estar envolvidos na proteção cardiovascular observada com a semaglutida.



