Órbita da Terra em perigo: satélites podem colidir em menos de 3 dias
O aumento de satélites em órbita baixa cria risco catastrófico em poucos dias

A órbita baixa da Terra está mais congestionada e vulnerável do que muitos imaginam. Redes massivas de satélites, incluindo a Starlink, dependem de ajustes constantes para evitar colisões. No entanto, um evento extremo, como uma tempestade solar, poderia desestabilizar todo o sistema em apenas 2,8 dias, segundo um estudo recente publicado no arXiv.
Esses satélites estão em constante movimento, realizando manobras para evitar aproximações perigosas.
Para contextualizar:
- Uma aproximação (menos de 1 km de distância) ocorre a cada 22 segundos em redes globais;
- Cada satélite Starlink realiza 41 ajustes de trajetória por ano para evitar acidentes;
- Uma tempestade solar pode aumentar o arrasto atmosférico, exigindo mais combustível e complicando os cálculos de navegação.
Como as tempestades solares transformam a órbita?
As tempestades solares afetam os satélites principalmente de duas maneiras. Primeiro, provocam a expansão atmosférica, fazendo com que a atmosfera superior se densifique, aumente a resistência e obrigue os satélites a queimar mais combustível para se manterem em órbita.
Segundo, podem causar falhas nos sistemas de comunicação e navegação, impedindo que os satélites realizem manobras evasivas e aumentando o risco de colisões em cadeia. Esses efeitos combinados transformam a órbita baixa da Terra em uma verdadeira “casa de cartas”, na qual um único evento extremo pode desencadear um efeito dominó de detritos espaciais, conhecido como Síndrome de Kessler.
O Relógio do Colapso Orbital
Os pesquisadores desenvolveram uma métrica chamada CRASH (Collision and Significant Harm Realization), que indica a velocidade com que um desastre pode se desenrolar, e os números são alarmantes: uma perda total de controle sobre os satélites poderia causar uma colisão catastrófica em apenas 2,8 dias.
Mesmo uma falha de 24 horas já aumenta em 30% a probabilidade de um acidente grave. Antes do surgimento das mega constelações, esse prazo era de 121 dias, o que evidencia o quão crítica a situação se tornou. O alerta é claro: a humanidade depende de monitoramento constante e controle em tempo real para proteger o acesso ao espaço. Um único evento extremo, como uma tempestade solar semelhante ao Evento Carrington de 1859, poderia paralisar satélites globalmente por dias ou até semanas.
Embora as mega constelações ofereçam conectividade sem precedentes, elas também aumentam significativamente o risco orbital. Com compreensão adequada dos perigos e planejamento estratégico, é possível mitigar os impactos, mas a janela para agir é extremamente curta. Ignorar esses sinais pode significar décadas de restrição no acesso ao espaço, com consequências graves para comunicação, navegação e pesquisa científica.



