O que muda com a profissionalização da arbitragem na Série A do Brasileirão
Objetivo é que 72 árbitros escolhidos cubram todos os jogos do campeonato e eventualmente sejam escalados para a Copa do Brasil e Série B

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou o primeiro modelo de profissionalizaçãoda arbitragem nacional, trazendo mudanças significativas ao que se tinha anteriormente.
A partir de março, todos os jogos da Série A serão comandados por árbitros com dedicação exclusiva. Isso inclui o juiz principal, os auxiliares e o responsável pelo VAR.
Como funciona a arbitragem hoje?
Pelas regras atuais, para se tornar árbitro no Brasil é preciso ter o ensino médio completo e fazer um curso específico de formação. O candidato também deve apresentar boas condições de saúde, estando apto a realizar atividades e exercícios de alto rendimento e não possuir restrições físicas e/ou cardiológicas.
Concluída a formação, o árbitro pode solicitar o ingresso ao quadro de arbitragem de seu estado. Caso consiga a vaga, ele começará a apitar competições de categorias de base (infantil, juvenil), no futebol amador ou em uma federação estadual.
O tempo de formação varia de seis a oito anos. Ganhando experiência na base, o árbitro pode ser indicado para ingressar no quadro da CBF, para atuar em competições nacionais. Os próximos passos são os torneios internacionais, encabeçados pela Fifa.
Atualmente, os árbitros e os profissionais do apito são remunerados por partida, e os valores variam conforme a competição (regional, nacional ou internacional).

Como será pelas novas regras?
Neste primeiro momento, o novo modelo será voltado para o Brasileirão da Série A e passa a valer a partir deste ano. Segundo a CBF, os árbitros que passarem pela profissionalização poderão trabalhar em outras competições no decorrer do ano.
As mudanças dizem respeito, especialmente, ao modelo de remuneração. Ao contrário da prática anterior, os árbitros brasileiros passarão a ter salários mensais. Os valores terão diferença por categoria (se é árbitro Fifa ou CBF, por exemplo).
Além disso, estão previstas taxas variáveis e bônus por performance. Os profissionais também deverão se dedicar prioritariamente à atividade, sem a obrigação de exclusividade.
Inicialmente, 72 profissionais foram escolhidos. Os contratos de trabalho com a CBF terão duração de um ano, sendo 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 árbitros de VAR neste primeiro ano.
O objetivo é que esses profissionais cubram as 380 partidas do Brasileirão e poderão, ainda, ser escalados em jogos da Copa do Brasil e em rodadas da Série B.
Ao final de cada período, eles estarão passíveis a rebaixamento (pelo menos dois de cada função), para que haja a promoção de outros que tenham se destacado na temporada.
Ainda de acordo com a CBF, os 72 árbitros selecionados vão ser avaliados por observadores e uma comissão técnica. Os profissionais, ainda, receberão notas envolvendo critérios como controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e clareza na comunicação. Um ranking será atualizado a cada rodada.
Outras medidas incluem a disponibilização de planos individualizados, com uma rotina semanal de treinos e monitoramento tecnológico. Os árbitros, ainda, vão contar com suporte na área de saúde e passarão por quatro avaliações anuais, com testes físicos e de simulação de jogo.
A CBF já divulgou os nomes dos 72 primeiros profissionais selecionados para o modelo:
20 Árbitros Centrais
- Alex Stefano
- Anderson Daronco
- Bráulio Machado
- Bruno Arleu
- Davi Lacerda
- Edina Batista
- Felipe Lima
- Flávio Souza
- Jonathan Pinheiro
- Lucas Casagrande
- Lucas Torezin
- Matheus Candançan
- Paulo Zanovelli
- Rafael Klein
- Ramon Abatti
- Raphael Claus
- Rodrigo Pereira
- Sávio Sampaio
- Wagner Magalhães
- Wilton Sampaio
40 Assistentes
- Alessandro Matos (CBF)
- Alex Ang (FIFA)
- Alex dos Santos (CBF)
- Alex Tomé (CBF)
- Andrey Freitas (CBF)
- Anne Kesy (FIFA)
- Brígida Cirilo (FIFA)
- Bruno Boschilia (FIFA)
- Bruno Pires (FIFA)
- Celso Silva (CBF)
- Cipriano Silva (CBF)
- Daniela Coutinho (FIFA)
- Danilo Manis (FIFA)
- Douglas Pagung (CBF)
- Eduardo Cruz (CBF)
- Evandro Lima (CBF)
- Fabrini Bevilaqua (FIFA)
- Felipe Alan (CBF)
- Fernanda Kruger (FIFA)
- Fernanda Nandrea (FIFA)
- Francisco Bezerra (CBF)
- Gizeli Casaril (FIFA)
- Guilherme Camilo (FIFA)
- Joverton Lima (CBF)
- Leila Naiara (FIFA)
- Leone Rocha (CBF)
- Luanderson Lima (FIFA)
- Luiz Regazone (CBF)
- Maíra Mastella (FIFA)
- Michael Stanislau (CBF)
- Nailton Junior (FIFA)
- Neuza Back (FIFA)
- Rafael Alves (FIFA)
- Rafael Trombeta (CBF)
- Rodrigo Corrêa (FIFA)
- Schumacher Gomes (CBF)
- Thiaggo Labes (CBF)
- Thiago Farinha (CBF)
- Tiago Diel (CBF)
- Victor Imazu (FIFA)
12 Árbitros de VAR
- Caio Max
- Charly Wendy
- Daiane Muniz
- Daniel Bins
- Diego Lopez
- Marco Fazekas
- Pablo Ramon
- Rodolpho Tolski
- Rodrigo Dalonso
- Rodrigo Guarizo
- Rodrigo Sá
- Wagner Reway
A entidade afirma que vai investir cerca de R$ 195 milhões para o desenvolvimento e profissionalização dos árbitros no biênio 2026/2027.



