Amapá cria força-tarefa contra vassoura-de-bruxa da mandioca
O Mapa declarou emergência fitossanitária por representar uma grave ameaça à segurança alimentar e econômica as comunidades rurais do Amapá

A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) oficializou medidas para conter a disseminação da doença vassoura-de-bruxa da mandioca no estado. A praga foi classificada como de caráter quarentenário e está gerando perdas severas na produção local.
De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial do Estado, o governo identificou a ocorrência oficial do surto em dez municípios: Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Porto Grande, Cutias do Araguari e Ferreira Gomes.
A medida visa evitar que o patógeno atinja áreas ainda livres da doença, o que causaria prejuízos econômicos à cadeia produtiva regional.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) define a vassoura-de-bruxa-de-mandioca como uma doença de alto potencial destrutivo causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae. A doença também é conhecida como “morte descendente da mandioca”.
O fungo se dissemina facilmente por meio de material de plantio e ferramentas, exigindo rigoroso controle para proteger as lavouras sadias.

Restrições
- A portaria define que fica proibido, por um período inicial de 120 dias, o transporte de plantas e partes de plantas de mandioca que saiam dos municípios afetados em direção a zonas que ainda não tem registro da praga.
- O descumprimento das normas sujeita os infratores a penalidades administrativas e sanções penais.
O que está proibido de transitar entre os municípios
- Raízes com casca, folhas in natura, raspas para alimentação animal, puba (ou carimã) e raízes descascadas sem comprovação de destino.
O que é permitido transitar entre os municípios
- Farinha de mandioca, tucupi, goma (polvilho), folhas cozidas e raízes lavadas e descascadas, desde que embaladas a vácuo ou com destino comprovado.
O governo realizará visitas técnicas a estufas térmicas na Aldeia Manda, em Oiapoque, para combater a doença em comunidades indígenas. Equipes técnicas também realizam monitoramento em agroindústrias de derivados de mandioca em Mazagão e fiscalizam o trânsito agropecuário em municípios como Ferreira Gomes e Tartarugalzinho para garantir o cumprimento das normas sanitárias.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência fitossanitária por representar uma grave ameaça à segurança alimentar e econômica das comunidades rurais da região.
Sintomas
- Morte descendente: a parte de cima da planta começa a secar e morrer, de cima para baixo, em direção às raízes. As hastes afetadas apresentam escurecimento dos vasos (necrose vascular) quando cortadas.
- Aparência de vassoura: ramos secos, fracos, com encurtamento da distância entre as gemas (roseta), com surgimento de brotações em grande quantidade, parecendo uma vassoura velha.
- Aparência de doença: as plantas ficam pequenas (nanismo), com folhas amarelas (clorose) e secam rapidamente.
Dados da Embrapa mostram que 2.262 inspeções já foram realizadas em propriedades rurais, no qual 40 amostras foram coletadas para exames laboratoriais. Atualmente, no Brasil, tem registrado 53 casos positivos para Vassoura-de Bruxa da mandioca. Desse total, 48 casos são no Amapá e 5 no Pará.
Inicialmente, a portaria havia sido publicado no dia 20 de janeiro. A versão definitiva e corrigida passou a vigorar a partir da terça-feira, (27).



