Amprev gasta mais de R$ 680 milhões em 2025 e número de aposentados segue crescendo no Amapá
Relatório oficial mostra aumento da massa previdenciária, envelhecimento dos beneficiários e despesas cada vez maiores; investimentos seguem detalhados apenas em anexos

A Amapá Previdência (AMPREV) já empenhou R$ 680,6 milhões apenas até o terceiro trimestre de 2025, segundo o Relatório de Governança Corporativa encaminhado oficialmente ao Ministério Público do Amapá no fim de janeiro de 2026. O documento revela números robustos, crescimento contínuo da base de beneficiários e uma previdência cada vez mais pressionada — ao mesmo tempo em que mantém os dados mais sensíveis concentrados em anexos técnicos.
Em apenas um ano, o total de servidores ativos vinculados ao sistema saltou de 23.789 em 2024 para 25.164 em 2025, um crescimento de 1.375 segurados. O avanço ocorre tanto no setor civil quanto no militar, ampliando a responsabilidade futura do Estado com aposentadorias e pensões.
Ao mesmo tempo, o número de aposentados já chega a 4.299, sendo 3.242 civis e 1.057 militares. Em setembro de 2025, a idade média geral dos aposentados é de 60 anos, com destaque para os civis, cuja média atinge 62 anos, enquanto militares se aposentam mais cedo, aos 51 anos, em média.
O grupo de pensionistas soma 1.459 pessoas, com idade média geral de 43 anos, o que indica benefícios de longa duração e impacto prolongado sobre os cofres públicos.
Somente no mês de setembro de 2025, a folha de pagamento da AMPREV alcançou R$ 72,4 milhões, beneficiando 5.758 pessoas entre aposentados e pensionistas. No acumulado do ano, a despesa previdenciária empenhada até setembro já chega a R$ 680.659.219,88 — valor que tende a crescer no fechamento do exercício.
O relatório reconhece que os pagamentos seguem regulares, mas os números levantam uma pergunta inevitável: o modelo atual é sustentável no médio e longo prazo?
Apesar de tratar longamente de governança, controle interno e rotinas administrativas, o relatório não apresenta no corpo principal os valores detalhados dos investimentos realizados com os recursos previdenciários. As informações sobre aplicações financeiras, fundos e fluxo de entradas e saídas aparecem apenas em anexos técnicos e links externos, o que dificulta a leitura direta pelo cidadão comum.
Em um cenário de crescimento da despesa, envelhecimento da base de beneficiários e histórico recente de desconfiança em investimentos de fundos previdenciários no país, a opção por empurrar os dados mais sensíveis para anexos levanta questionamentos legítimos sobre transparência ativa e acesso facilitado à informação.
O próprio relatório confirma que a AMPREV administra hoje uma estrutura complexa, com milhares de beneficiários e centenas de milhões de reais em circulação todos os anos. Quanto maior o volume, maior deve ser o escrutínio público.
Os números são oficiais, estão no papel e foram encaminhados ao Ministério Público. Agora, cabe aos órgãos de controle, parlamentares e à sociedade acompanhar de perto: quem fiscaliza, como fiscaliza e onde, exatamente, está sendo aplicado o dinheiro da aposentadoria dos servidores do Amapá.



