Sumaúma: A rainha-mãe das árvores da Amazônia
Com até 60 metros de altura, tronco que armazena água e vapores que ajudam a manter a umidade do ar, a sumaúma amazônica funciona como uma “torre viva” da selva e influencia o clima ao redor da floresta

A Sumaúma (Ceiba pentandra) é frequentemente chamada de “Gigante da Amazônia” por causa de sua altura descomunal, da forma como domina visualmente a mata e do papel ecológico que desempenha na manutenção da umidade e do microclima das florestas tropicais. Mas a grandeza dessa árvore não está apenas na estética.
Por trás do tronco monumental existe um sistema biológico que armazena e libera água, interage com o ciclo das chuvas e forma abrigos inteiros para outras espécies. É daí que surge o termo “torre viva”, muito usado por ecólogos para descrever árvores que conectam o subsolo à atmosfera e funcionam como estruturas ambientais.

Uma árvore com porte de prédio e arquitetura própria
Uma sumaúma adulta pode atingir entre 40 e 60 metros de altura, com registros que ultrapassam o topo desse intervalo quando se consideram indivíduos localizados em trechos de floresta primária.
Para o leitor visualizar, estamos falando de um equivalente a um prédio de 15 a 20 andares surgindo no meio da mata. O tronco é cilíndrico e muito largo na base, podendo passar de 3 metros de diâmetro, com raízes tabulares que se estendem lateralmente por vários metros.
Essas placas, chamadas sapopemas, ajudam a estabilizar a árvore em solos encharcados e sustentam o peso colossal do tronco.
A copa, quando vista de cima, forma um guarda-chuva verde com dezenas de metros de diâmetro, o que garante sombra permanente para o sub-bosque e reduz a evaporação do solo.
Esse sombreamento é fundamental em áreas de floresta onde a temperatura pode subir rapidamente após a incidência direta do sol.

Armazenamento interno de água: uma adaptação invisível aos olhos
Embora o tronco pareça seco, a sumaúma possui capacidade de armazenar água em sua madeira e em espaços internos. Essa adaptação é comum em árvores tropicais gigantes e ajuda a regular o balanço hídrico durante períodos de menor precipitação.
Parte dessa água pode ser redistribuída para a superfície das raízes, um comportamento conhecido como hidráulica reversa, observado em espécies amazônicas que ajudam a manter o microclima do subsolo.
Pesquisas de fisiologia vegetal indicam que árvores de grande porte contribuem para a estabilidade térmica do solo, evitando o ressecamento excessivo e protegendo microrganismos, fungos e invertebrados que dependem da umidade.

Liberação de umidade para a atmosfera e o papel no ciclo das chuvas
A sumaúma participa ativamente da transpiração florestal. Esse processo não é uma exclusividade dela, mas o porte faz com que a contribuição seja maior em volume. Em dias de calor intenso, uma árvore desse tamanho pode liberar grandes quantidades de vapor d’água por meio das folhas.
Essa umidade forma o que climatologistas chamam de “rios aéreos”, correntes de vapor que se deslocam acima da floresta e alimentam sistemas atmosféricos.
Esse fenômeno não atua sozinho, mas compõe um conjunto de interações que explicam por que áreas extensas de floresta tropical conseguem manter regimes de precipitação, mesmo durante períodos sazonais mais secos.
Indo além do seu entorno imediato, árvores gigantes contribuem indiretamente para a formação de chuvas em regiões distantes, algo confirmado em simulações climáticas e estudos sobre transporte atmosférico de vapor.



