Piratas Estilizados traz Wander Pires para celebrar 52 anos de história no carnaval amapaense

A Escola de Samba Piratas Estilizados completa 52 anos, neste dia 5 de janeiro, e traz o intérprete da Viradouro, Wander Pires, para a celebração no próximo sábado (10), na Quadra da Escola Azevedo Costa, com participação das co-irmãs, no encontro das bandeiras, e dos pontos técnicos da agremiação do bairro do Laguinho.
O intérprete oficial, Catatau, e os integrantes da ala musical – Tom Laranja, e da melhor bateria do Estado, Orquestra de Bambas, prepararam um repertório com muito samba e resgate de sambas-enredo que marcaram os desfiles da Mais Querida do carnaval amapaense.
Histórico
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados (Grespe) tem uma trajetória que reflete como um espelho da profissionalização, da modernização técnica e do aprofundamento cultural do carnaval amapaense, revelando a transição de manifestações espontâneas para espetáculos de grande porte. A evolução da agremiação acompanha a história da manifestação popular no estado, evidenciando mudanças cruciais na infraestrutura, na estética e na responsabilidade social dos desfiles.
Iniciou sua jornada conquistando títulos como um “bloco de rua”, uma fase que remete a um carnaval mais informal, antes de ascender ao Grupo Especial da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap).
Essa transição organizacional é marcada geograficamente pela mudança do local dos desfiles: a escola viveu a época dos desfiles na Avenida FAB e a busca de títulos na atual “Era Sambódromo” na Avenida Ivaldo Veras. Essa mudança de palco simboliza a passagem de um carnaval urbano e tradicional para um evento de arena, exigindo maior complexidade logística e artística.
A Piratas Estilizados atuou como um motor de inovação estética, forçando a evolução visual do carnaval amapaense.
A escola foi responsável por introduzir elementos que hoje são padrões de qualidade nos desfiles, como as Alegorias Vivas, sendo a primeira a levar para a avenida alegorias com movimento e iluminação, chegando a apresentar, ainda na época da Av. FAB, um carro com uma cachoeira jorrando água, algo considerado uma inovação imensa para o período.
Inovou ao apresentar a primeira comissão de frente formada exclusivamente por mulheres (anteriormente eram apenas homens) e foi pioneira no uso de alas e casais de mestre-sala e porta-bandeira coreografados.
A busca pela modernidade continua presente, refletindo um carnaval que abraça novas tecnologias, como demonstrado pelo uso de um show de drones na abertura do desfile de 2024.
A evolução também é perceptível no conteúdo dos enredos, que passaram a abordar questões sociais complexas e a identidade cultural profunda, indo além do entretenimento puro, e adotou posturas de engajamento social, como no enredo “Xô Preconceito”, que levantou bandeiras de diversidade, inclusão e respeito às diferenças.
E, foi exaltando a cultura da região Amazônica, o Açaí, que conquistou o bi-campeonato e o título de Campeã do Carnaval 2025, o primeiro da era sambódromo.
Carnaval 2026
Para o carnaval de 2026, a escola demonstra a maturação cultural do carnaval do Amapá ao propor um enredo denso sobre ancestralidade, sincretismo religioso (Xangô e São José) e resistência negra. Com o enredo “Toque o Alujá para o Alafin de Oió – A ancestralidade que ecoa nos sagrados tambores”, apresenta uma narrativa que não apenas celebra a festa, mas reitera a luta contra o aniquilamento histórico e o preconceito contra o “povo preto e pobre”.
Pode-se comparar a trajetória da Piratas Estilizados à construção do próprio tambor descrito em seu enredo de 2026: assim como Xangô transformou um tronco oco e pele animal em um instrumento capaz de invocar deuses e seduzir até os dominadores com seu ritmo, a escola pegou a estrutura bruta dos blocos de rua e, através da “pele” da inovação e da técnica, criou uma caixa de ressonância sofisticada que hoje ecoa a identidade e a história do povo amapaense para muito além da avenida.
- Gilvana Santos / Diretora de Comunicação Grespe



