Embraer “sai ilesa” do tarifaço e anuncia importação de US$ 21 bi dos EUA em meio à tensão comercial
Companhia projeta importações bilionárias dos EUA até 2030, reforça presença em negociações globais e amplia estratégias de diversificação de mercados enquanto pressões políticas seguem em curso.

A Embraer saiu fora do alcance imediato da sobretaxa de 50% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, preservando suas vendas de aeronaves ao país. A fabricante, no entanto, continua sujeita à alíquota de 10% já em vigor desde abril e opera sob o pano de fundo de uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do Brasil.
Nesse cenário, a companhia projeta importar US$ 21 bilhões em insumos e serviços dos EUA até 2030, número reiterado em meio a novas rodadas de diálogo empresarial.
Evento reforça diálogo em meio ao embate
Segundo a revista Times Brasil, a Fiesp e o Council of the Americas reuniram executivos de empresas com presença nos dois países e autoridades para discutir as relações Brasil–EUA em um ambiente de tensão comercial.
A agenda tratou do papel do setor privado na manutenção de fluxos de investimento, inovação e empregos, com Embraer, Boeing, Amazon Web Services, JBS e Salesforce entre os participantes.
Juliana Villano, da Embraer, constou entre os palestrantes convidados. Ainda no mesmo encontro, líderes empresariais defenderam que a cooperação econômica não deve ser paralisada pela disputa tarifária. Para a Fiesp, a negociação permanece como caminho preferencial para reduzir incertezas e resguardar cadeias produtivas com forte integração bilateral.
Tarifa de 50% poupou aeronaves, mas 10% segue vigente
A isenção de aeronaves civis e componentes da tarifa adicional de 40 pontos percentuais – que elevou a carga total a 50% para grande parte dos bens brasileiros – evitou um choque direto sobre encomendas e entregas do setor aeroespacial.
A medida, formalizada por ordem executiva no fim de julho, confirma a exclusão do segmento aeronáutico, ao mesmo tempo em que mantém a tarifa-base de 10% do regime “recíproco” instaurado em abril.
Em paralelo, segue em curso uma investigação da Seção 301 conduzida pelo governo norte-americano para avaliar práticas consideradas “injustas” no comércio com o Brasil. O procedimento, voltado ao país e não a empresas específicas, amplia a incerteza regulatória e pode resultar em novas medidas restritivas.